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9 de Março - Mês Dedicado a São José

Da Jornada que São José fez a Belém com a Virgem
Para Obedecer ao Edito de Cesar

FONTE

              Havia já a soberana Senhora chegado ao nono mês da maravilhosa Conceição do Verbo Divino, quando se publicou em Nazaré a notícia de que mandava Cesar Augusto, imperador segundo dos romanos, que naquele tempo regia grande parte do mundo conhecido, e gozava de suma paz no seu império, que todos os seus vassalos se alistassem naquelas cidades onde tinham sua origem, a fim de pagarem certo tributo em sinal de reconhecimento e vassalagem.
            Remeteu o Imperador esta ordem a Quirino, Governador da Síria, o qual, por edito público, a fez promulgar em todas as províncias da sua jurisdição.
            Para obedecer pronto a este decreto, viu-se São José obrigado a passar a Belém, que era o solar de toda a estirpe régia de Davi, donde o Santo procedia.
            Este era o ambicioso projeto do Imperador Augusto; mas a providência incompreensível de Deus dispôs que juntamente fosse Maria Santíssima, não sendo obrigada, com seu esposo São José, não só para que ali nascesse o Verbo Divino humanado, segundo a profecia de Miquéias, que no capítulo 5, versículo 3, claramente anunciara que o Messias havia de ter Belém por pátria, mas para ficar por aquele meio descrito, nos fatos romanos, a família e progênie de Jesus Cristo enquanto homem, de cujo assentamento se valeram São Justino Mártir e Tertuliano para convencerem os ímpios.
            Distava Belém de Nazaré trinta léguas com pouca diferença, indo a Virgem Maria montada em um jumento, que São José guiava, e acompanhados de um boi, para suprir com a venda da carne do mesmo os gastos do tributo e da viagem e para solenizar o dia em que nascesse feito homem o Primogênito do Pai Eterno, distribuindo-a pelos pobres.
            Seriam cinco horas da tarde do dia quinto da sua jornada, quando São José e a Virgem chegaram a Belém, e entrando na cidade para buscarem abrigo, e descansarem de tão larga viagem, não foi possível achar aposento. Seguia a honestíssima Rainha e seu Esposo, de porta em porta, procurando agasalho entre o tumulto de muita gente que ali havia concorrido para obedecer ao Decreto do Imperador romano.
            Caminhando pela cidade, chegaram à casa onde estavam os oficiais do registro público, e ali se alistaram e pagaram o competente tributo. Logo prosseguiram em sua diligência, buscando cômodo em outras muitas casas, mesmo de parentes e amigos, e em todas respondiam ao pacientíssimo São José, como diz São Lucas, que não havia lugar para se hospedarem.
            Grande foi a aflição da Senhora, vendo-se entre tanta multidão de gente contra o seu gênio modesto e retraído; porém, o Santo e fidelíssimo São José sentia muito mais aquela extrema impossibilidade, em que se via, de não poder acomodar sua Santíssima Esposa, donzela tão delicada, que ainda não tinha feito quinze anos, a quem ele amava, e venerava sobre tudo, vendo estar tiritando, em uma noite tão fria, a formosura dos Anjos, exposta a todos os rigores do tempo, sem descanso, sem casa, sem abrigo; mas, sem dúvida, não foi pequena a glória para o nosso Santo achar-se entre as trevas da noite, aspereza da estação, desprezo dos parentes, e, desamparado dos amigos, ser ele só o único e fiel amparo e consolação da Rainha dos céus e Senhora do mundo.
            A ingratidão dessa gente deu motivo a que São José e sua Esposa para sair da cidade e procurarem uma caverna, que estava junto aos muros, para a parte do Oriente, na qual, como receptáculo comum, costumavam albergar-se os pastores e pobres peregrinos. Esta concavidade estava aberta no penhasco, e a ela seguia-se outra que servia de redil com uma manjedoura feita na mesma penha.
            Uma vez entrados, os santos Esposos puseram-se de joelhos, dando graças ao Senhor pelos altos juízos, com que dispunha os seus Mistérios, e logo começaram ambos a limpar a gruta com grande e santa emulação. São José acendeu uma pequena fogueira porque o frio era grande, e acercaram-se dela para receber algum calor, e do pobre sustento, que levavam, comeram, ou cearam com incomparável alegria de suas almas. Depois deram graças a Deus, e a Virgem rogou a seu Esposo José que se recolhesse a descansar e dormir um pouco, pois já era alta noite.
            Nessa ocasião, entra também a Virgem em êxtases e, de repente, radiante de felicidade, aperta nos braços contra o peito um menino, seu filho. Veio, como vêm os raios do sol, como a luz atravessa o cristal e o ilumina com seus raios, fazendo sobressair a sua transparência e pureza.
            Pura, sem mácula, antes do parto, pura e sem mácula ficou depois.
            Voltando a si do êxtase, ouviu São José o vagido de uma criança e correu pressuroso para junto de sua Virginal Esposa, encontrando-a com seu divino Filho nos braços.
            Foi São José o primeiro homem que mereceu e gozou, neste mundo, ver, com os próprios olhos, nascido o que não tem princípio, o imenso reduzido a lugar, o resplendor do Pai Eterno disfarçado na fraqueza humana.
            A Virgem depôs seu divino Filho sobre as palhas da manjedoura, tendo por travesseiro uma pedra que cobrira com panos e que ainda se mostra na Terra Santa e é reverenciada e beijada, com devotas lágrimas, pelos peregrinos.
            Junto estavam o jumento em que tinha viajado a Virgem e o boi que os Sagrados Esposos levaram para festejar o nascimento, e que com seus bafos aqueciam o divino recém-nascido. Sendo muito o frio, a Virgem Maria cobriu o tenro corpo do Menino com o seu véu, e São José com a sua capa.
            A alegria e júbilos que teria a soberana Senhora com o nascimento de seu amado Filho, não há entendimento ou língua que o possa compreender ou declarar vendo a Deus incriado nascido no tempo, ao Deus imenso e insensível apertado em seus braços, já adorando-o como Senhor, já beijando-o como Menino; e sendo também incompreensíveis as consolações celestiais, que, nesta ocasião, recebeu o bem-aventurado São José. Alegrava-se o Santo, vendo aquela joia divina, que o Pai Eterno lhe havia confiado, e considerando-se enriquecido com tão altos títulos de que Deus o havia feito participante na pessoa de seu Filho, repartindo com ele a dignidade real e fazendo-o não só guarda, aio e camarista do Rei da Glória, mas também pai legal por o haver adotado como Filho, e Filho de sua Esposa, gerado por obra e graça do Espírito Santo.
            Alegrava-se pelos bens incomparáveis de sua Esposa, tomando em seus braços a Jesus, doce prenda, em que estava recopilada toda a onipotência do Pai Eterno, que, ainda que pequenino no corpo, não só enchia todo o mundo, mas vinha para o reparar.
            Alegrava-se e também se confundia, vendo que, no segredo desta dignidade suprema de pai de Cristo, que o Altíssimo lhe concedera por um privilégio de graça mui especial, não só ficara excedendo a Patriarcas, Profetas, Evangelistas e Apóstolos, mas a todas as criaturas até as angélicas, pois que a Mãe e o Filho de Deus, elegendo-o para esposo e pai, quiseram, de algum modo, ser menos que ele.

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A vida de São José pela Associação de Adoração Contínua a Jesus Sacramentado. Livraria Francisco Alves. 1927.

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