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Capítulo XX - Pelos sacerdotes defuntos

CENTELHAS EUCARÍSTICAS
 PEQUENA COLEÇÃO
DE
Pensamentos e afetos devotos
a
JESUS SACRAMENTADO


XX
Pelos sacerdotes defuntos
__________

ACOLHE, ó Jesus, a oração que se eleva do meu coração ao trono da tua misericórdia. É uma oração toda impregnada de amor, de piedade, de veneração.. Ó Jesus, eu te peço pelos teus sacerdotes defuntos! — Recorda, ó grande Deus, quanto trabalharam por ti neste mesmo templo, junto deste mesmo altar, no tribunal da penitência, no púlpito, com a voz, com o exemplo, e talvez entre prantos e dores. 

Quantas almas extraviadas reconduziram arrependidas aos teus pés! Quantas almas inocentes não salvaram! Quanta ignorância não dissiparam das almas cristãs! Quantas consolações não souberam derramar sobre corações ulcerados pelo infortúnio ou gementes sob o peso de uma cruz, tão semelhante à tua! E agora, depois de terem concluído a sua missão sacerdotal, depois de terem consumado por ti o último fio de vida, será possível que devam ainda gemer entre as chamas expiadoras do Purgatório? Tu és bom... Mas és também justo! Os teus rigores para com os Sacerdotes são medidos pela grandeza a que os devaste e pela dignidade sublime do seu caráter sagrado... Oh! Quantos que eu vi labutar por longos anos dentro deste templo, que vi subir a este mesmo altar, quantos cujo nome recordo e dos quais conservo na fantasia viva e falante a figura veneranda e grave... Quantos... Agora estão lá a sofrer, por terem exercitado menos santamente o seu angélico ministério! E como poucos se recordam deles! Quão poucos oram por aquelas pobres almas! Ah! Se a ingratidão e o esquecimento pesam como chumbo sobre tantas almas trespassadas, sobre a dos sacerdotes defuntos o peso é imensamente maior e mais cruel. Pobres sacerdotes! Eles oraram sempre pelos mortos, todos os dias, em todas as missas... e porque são tão esquecidos agora que tanto necessitam de orações e sufrágios! Ó Jesus, tu que tanto os amaste, que os privilegiaste com a tua graça, que os fizeste depositários do teu Sangue e das tuas misericórdias, tu... tem piedade das suas almas! Ó Jesus, aquele Sangue adorado, que desce a todo o instante nos cálices sacerdotais, derrame-se em torrente de purificação e corra pelos cárceres daquelas pobres almas, embeleze-as de uma graça nova, cancele-lhes toda a responsabilidade e débito de pena, revista-as de uma estola branca que as faça novamente belas ao olhar puríssimo da tua justiça e do teu amor... Com todo o teu Sangue quantas almas não ganharam eles ao teu Coração! É possível que não reste uma só gota para resgatar as suas almas e mandá-las ao Paraíso para cantar eternamente o teu amor?
Os sacerdotes defuntos! Porque deixá-los ainda no Purgatório, ó caro Jesus? Não sofreram eles bastante sobre a terra? Recorda, ó Deus piedoso, os sacrifícios feitos para se dedicarem ao serviço do teu altar; recorda as lutas travadas com a sua constância para se libertarem do mundo e talvez de uma família amante e ternamente amada; recorda o que trabalharam e sofreram no santo tribunal da penitência... Estar ali dentro fechados longas horas, consumando lenta, mas inexoravelmente, as forças... E, contudo, para ganharem alguma alma resistiram à fadiga e depauperaram a saúde. Recorda o que eles fizeram para preservar da descrença e da corrupção a infância e a juventude... Recorda as vigílias passadas junto dos enfermos e dos moribundos... Recorda os Requiem entoados sobre os cadáveres e peles almas dos nossos caros mortos... Recorda quantas vezes, perante a dor inconsolável dos sobreviventes, dos órfãos, das viúvas, eles com as mãos trementes e súplices, com os olhos cheios de lágrimas de emoção, apontaram para o céu, dizendo àquelas almas tristes — confortai-vos! Os vossos mortos vós os vereis de novo lá em cima... — E aquele céu mostrado à esperança dos fiéis, permanecerá fechado à esperança dos sacerdotes defuntos?
Recorda como foram maltratados pela ingratidão e malvadez humana, e como o mundo os cobriu de vitupério e de lama, porque se mostravam fiéis ao teu amor e às almas que tu resgataste. Oh! Como foi amargurado o seu ministério santo! Eles oravam, e recebiam imprecações: eles amavam, e eram odiados; eles beneficiavam, e eram espoliados; eles defendiam o fraco, e eram oprimidos pelo forte; eles repartiam com o pobre o seu escasso pão, e outros embebiam em fel o bocado que restava à sua fome; eles afadigavam-se para dar às almas a vida, e o mundo perseguia-os com o grito de morte... E todos estes tormentos não bastaram para purificá-los de toda a culpa, antes de morrerem? Ó Jesus, Tu que sentias tanta pena pelos desventurados, Tu que tantas vezes empregaste a omnipotência divina para aliviar os padecentes... Ó Jesus, pensa nos teus sacerdotes defuntos amargurados no Purgatório de dores inefáveis, tem piedade daquelas almas angustiadas... Eles foram um dia senhores de toda a Tua pessoa — Corpo, Sangue, Alma, Divindade —,... e agora não são senhores de nada?... Nem mesmo duma Tua palavra de perdão?
Eu te ofereço, ó Jesus, por aquelas almas benditas, a tua mesma Paixão e Morte. Ofereço-te o teu Sangue, ofereço-te aquela Hóstia irradiante entre as luzes do altar e sepultada entre as trevas do Tabernáculo. Ofereço-te ainda as minhas pobres orações, as Missas que ouço, as comunhões que faço, as minhas mortificações voluntárias, as penitências com que me aflige a tua mão de juiz e de pai. De um modo especial ofereço-te os meus poucos merecimentos, as minhas pobres orações, unidas às orações da Igreja Católica, pelas almas daqueles sacerdotes, que foram os verdadeiros benfeitores da minha alma e do meu coração. Miserere — tem piedade, ó bom Jesus, daquele sacerdote que derramou sobre a minha fronte a água batismal, daquele que me ensinou as primeiras verdades da fé, que pela primeira vez me fez pronunciar o teu santo nome e me falou do teu amor. Miserere— tem piedade daquele sacerdote que foi o primeiro confidente da minha consciência; daquele que me preparou para a primeira comunhão; daquele que me guiou a minha juventude pelo caminho da virtude e do bem. Miserere — tem piedade daquele sacerdote que assistiu aos meus parentes na hora tremenda da agonia e da morte e levou uma palavra de conforto e de esperança à minha família ferida pela desventura. Miserere— tem piedade daquele sacerdote que eu contristei mais de uma vez com as minhas repugnâncias à virtude e com a minha revolta aos seus conselhos paternais. Miserere — tem piedade de todos aqueles a quem prometi orações de sufrágio e que, depois do trespasse, indignamente esqueci. Ó Jesus, caro Jesus, tu que me lês no coração e na consciência, tu sabes quais são os meus deveres e quais os meus desejos; sabes por quem devo e por quem quero orar. Do trono eucarístico da tua misericórdia acolhe piedoso a voz enternecida da minha piedade, ouve a minha afetuosa oração, e chama depressa, a formarem-te uma coroa no Paraíso, as almas daqueles sacerdotes, que um dia chamaste a formarem-te uma coroa junto dos Tabernáculos santos.

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