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Dos Exercícios Piedosos que se Aconselham o Cristão a fazer a Cada Dia



969) Que deve fazer um bom cristão, pela manhã, apenas acorda?
Um bom cristão, pela manhã, apenas acorda, deve fazer o sinal da Cruz, e oferecer o coração  a Deus, dizendo estas ou outras palavras semelhantes: Meu Deus, eu vos dou o meu coração e a minha alma.


970) Em que deveríamos pensar ao levantar da cama e enquanto nos vestimos?
Ao levantar da cama e enquanto nos vestimos, deveríamos pensar que Deus está presente, que aquele dia pode ser o último da nossa vida; e, entretanto levantar-nos e vestir-nos com toda a modéstia possível.


971) Depois de se levantar e de se vestir, que deve fazer um bom cristão?
Um bom cristão, apenas se tenha levantado vestido, convém pôr-se na presença de Deus e ajoelhar, se pode, diante de alguma devota imagem, dizendo com devoção: “Eu Vos adoro, meu Deus, e Vos amo de todo o coração; dou-Vos graças por me terdes criado, feito cristão e conservado nesta noite; ofereço-Vos todas as minhas ações, e peço-Vos que neste dia me preserveis do pecado, e me livreis de todo o mal. Assim seja”. Reza depois o Padre-Nosso, a Ave-Maria, o Credo, e os atos de Fé, de Esperança e de Caridade, acompanhando-os com um vivo afeto do coração.


972) Que práticas de piedade deveria fazer todos os dias o cristão?
O cristão, podendo, deveria todos os dias:
1o assistir com devoção à santa Missa;
2º fazer uma visita, por breve que fosse, ao Santíssimo Sacramento;
3º rezar o terço do Santo Rosário.


973) Que se deve fazer antes do trabalho?
Antes do trabalho, convém oferecê-lo a Deus, dizendo do coração: “Senhor, eu Vos ofereço este trabalho, dai-me a vossa bênção”,


974) Para que fim se deve trabalhar?
Deve-se trabalhar para glória de Deus e para fazer a Sua Vontade.


975) Que convém fazer antes da refeição?
Antes da refeição convém fazer o sinal da Cruz, estando de pé, e depois dizer com devoção: “Senhor, abençoai-nos a nós e ao alimento que vamos tomar, para nos conservarmos no Vosso santo serviço”.


 976) Depois da refeição, que convém fazer?
Depois da refeição, convém fazer o sinal da Cruz, e dizer: “Senhor, eu Vos dou graças pelo alimento que me destes; fazei-me digno de participar da mesa celeste”.


977) Quando nos vemos atormentados por alguma tentação, que devemos fazer?
Quando nos vemos atormentados por alguma tentação, devemos invocar com fé o Santíssimo Nome de Jesus ou de Maria, ou recitar fervorosamente alguma oração jaculatória, como, por exemplo: “Dai-me a graça, Senhor, que eu nunca Vos ofenda”; ou então fazer o sinal da Cruz, evitando porém que as outras pessoas, pelos sinais externos, suspeitem da tentação.


978) Quando uma pessoa reconhece ou duvida que cometeu algum pecado, que deve fazer?
Quando uma pessoa reconhece, ou duvida que cometeu algum pecado, convém fazer imediatamente um ato de contrição, e procurar confessar-se quanto antes.


979) Quando fora da Igreja se ouve o sinal de elevação da hóstia na Missa solene, ou da bênção do Santíssimo Sacramento, que se deve fazer?
É bom fazer, ao menos com o coração, um ato de adoração, dizendo, por exemplo: Graças e louvores se deem a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento”.


980) Que se deve fazer quando tocam às Ave-Marias, pela manhã, ao meio-dia e à noite?
Ao toque das Ave-Marias, o bom cristão recita o Anjo do Senhor com três Ave-Marias.


981) A noite, antes de deitar, que devemos fazer?
À noite, antes de deitar, convém pôr-nos, como pela manhã, na presença de Deus, recitar devotamente as mesmas orações, fazer um breve exame de consciência, e pedir perdão a Deus dos pecados cometidos durante o dia.


982) Que haveis de fazer antes de adormecer?

Antes de adormecer, farei o Sinal da Cruz, pensarei que posso morrer naquela noite, e oferecerei o coração a Deus, dizendo: “Meu Senhor e meu Deus, eu Vos dou todo o meu coração. Trindade Santíssima, concedei-me a graça de bem viver e de bem morrer. Jesus, Maria e José eu Vos encomendo a minha alma”.


983) Além das orações da manhã e da noite, por que outra forma se pode recorrer a Deus no decurso do dia?
No decurso do dia pode-se invocar a Deus frequentemente com outras orações breves, que se chamam jaculatórias.



984) Dizei algumas jaculatórias.

 Senhor, valei-me;
– Senhor, seja feita a Vossa Santíssima Vontade;
– Meu Jesus, eu quero ser todo Vosso;
– Meu Jesus, misericórdia;
– Doce Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que eu Vos ame cada vez mais;
– Doce Coração de Maria sede minha salvação.


985) É útil recitar, durante o dia, muitas jaculatórias?
É muito útil recitar, durante o dia, muitas jaculatórias, e podem recitar-se também com o coração, sem proferir palavras, caminhando, trabalhando, etc.


986) Além das orações jaculatórias, em que outra coisa deveria exercitar-se com frequência o cristão?
Além das orações jaculatórias, o cristão deveria exercitar-se na mortificação cristã.


987) Que quer dizer mortificar-se?
Mortificar-se quer dizer privar-se, por amor de Deus, daquilo que agrada, e aceitar o que desagrada aos sentidos ou ao amor próprio.


988) Quando é o Santíssimo Sacramento levado a um enfermo, que se deve fazer?
Quando é o Santíssimo Sacramento levado a algum enfermo, devemos, sendo possível, acompanhá-Lo com modéstia e recolhimento; e, se não é possível acompanhá-Lo, fazer um ato de adoração em qualquer lugar que nos encontremos, e dizer: Consolai, Senhor, este enfermo, e concedei-lhe a graça de se conformar com a Vossa Santíssima Vontade e de conseguir a sua salvação”.


989) Ouvindo tocar o sino pela agonia de algum moribundo, que haveis de fazer?
Ouvindo tocar o sino pela agonia de algum moribundo, irei, se puder, à igreja orar por ele; e, não podendo, encomendarei a Nosso Senhor a sua alma, pensando que dentro em breve tempo hei de encontrar-me também eu naquele estado


990) Ao ouvir sinais pela morte de alguém, que haveis de fazer?
Ao ouvir sinais pela morte de alguém, procurarei rezar um De profundis ou um Réquiem, ou um Padre-Nosso e uma Ave-Maria, pela alma daquele defunto, e renovarei o pensamento da morte.


Sobre a Leitura Espiritual

Excertos do Livro
Escola da Perfeição Cristã
Santo Afonso Maria de Ligório
Compilação de textos do Santo Doutor,
pelo Pe. Saint-Omer, C.SS.R.



§ I. Grande utilidade da leitura espiritual

    A leitura espiritual nos é talvez tão útil na tendência à perfeição como a oração, porque ela nos conduz tanto à oração como à virtude, diz São Bernardo (De modo bene viv., c. 59). "A meditação e a leitura espiritual, diz o mesmo Santo, são excelentes meios para se vencer o demônio e conquistar o Céu". Não podemos ter sempre nosso diretor espiritual junto de nós para pedir-lhe conselho em todas as nossas ações e, especialmente, em nossas dúvidas; a leitura espiritual, porém, supre o seu lugar, dando-nos as luzes de que necessitamos e os meios de evitar os enganos do demônio e do amor próprio, e de viver segundo a Vontade de Deus. E por isso, segundo afirma Santo Atanásio, não se encontrará um fervoroso servo de Deus que não seja dado à leitura de livros espirituais. 

   Do mesmo modo, tanto quanto é perniciosa a leitura de maus livros, é útil a leitura dos bons. Como aquela precipita tantas vezes a mocidade na perdição, assim esta é, muitas vezes a causa da conversão de muitos pecadores. 

   O autor dos livros bons é, em última análise, o Espírito de Deus, ao passo que o demônio é propriamente o inspirador dos maus. Este sabe esconder a muitos o veneno de que estão impregnados esses livros, pretextando que, pela leitura deles, se apropria um bom estilo ou uma reta norma de vida, ou que, pelo menos, assim se aproveita convenientemente o tempo. Eu afirmo, de minha parte, que não há coisa mais prejudicial que a leitura de maus livros, particularmente para aqueles que desejam levar uma vida devota. 

   Por maus livros entendo não só os que a Santa Sé proibiu em razão de sua matéria herética ou imoral, mas também todos os que tratam de amores profanos. Que piedade poderá ter um cristão que se ocupa com a leitura de romances ou de novelas amorosas? Que recolhimento de espírito terá ele na meditação ou na santa Comunhão? Mas que mal poderão causar os romances e poesias mundanas, que nada têm de indecoroso? - perguntará alguém. Causam um mal imenso: excitam a sensualidade; inflamam as paixões, que facilmente arrastam consigo a vontade, ou, ao menos, a enfraquecem tanto que o demônio já encontra o coração preparado para uma queda desastrosa no abismo do pecado, quando sobrevêm uma ocasião para um amor impuro. 

   Um douto escrito diz que a heresia se alastrou tanto e ainda se espalha cotidianamente, justamente em conseqüência da leitura de tais livros, porque essa leitura favorece a imoralidade, que aplaina o caminho para o erro. O veneno de tais livros penetra pouco a pouco na alma, apodera-se do entendimento, corrompe e perverte a vontade, e traz a morte à alma. Em verdade, o demônio não possui talvez um meio mais seguro para perverter os jovens do que a leitura de livros tão venenosos. Um só livro dessa espécie pode bastar para perder toda uma família. 

   Por isso, querido leitor, se chegar às tuas mãos um tal livro, lança-o imediatamente ao fogo, para que não apareça mais; e, se és pai de família, faze o que estiver em tuas forças para afastar de tua casa uma tal peste, se não quiseres dar um dia rigorosas contas a Deus. 

Nota do tradutor: Os mesmo vale dos divertimetos atuais: teatros, cinemas, bailes, etc., e pricipalmente dos jornais

   Além disso, deves notar bem, alma cristã, que alguns livros não são em si mesmos maus, mas, em todo caso, não podem concorrer para o teu bem espiritual e, por isso, a leitura desses livros é prejudicial, porque te rouba muito tempo, que poderias empregar em coisas úteis à tua salvação. São Jerônimo, no retiro de Belém, lia com grande gosto os escritos de Cícero, como ele conta à sua discípula Eustóquium, enquanto que achava certa repugnância na leitura da Sagrada Escritura, cujo estilo lhe parecia muito simples. Sobreveio-lhe, então, uma grave enfermidade, na qual pareceu-lhe estar diante do tribunal de Jesus Cristo. À pergunta do Senhor de quem ele era, respondeu o Santo: Eu sou um cristão. Mentes, respondeu-lhe o divino Mestre, és um ciceroniano, e não um cristão. E Jerônimo, por mandado do divino Juiz, foi castigado por um Anjo. Ele prometeu emendar-se e, voltando a si, percebeu que suas costas estavam todas feridas pelos açoites que recebera nessa visão. Desde então, deixou o Santo a leitura das obras de Cícero, e dedicou-se à leitura da Sagrada Escritura. 

   Não resta dúvida que, às vezes, se encontra nos livros mundanos um ou outro pensamento que é proveitoso para a vida espiritual, mas, como escreve São Jerônimo a uma de suas discípulas, "por que procuras alguns grãos de ouro em tão grande imundície?" (Ep. ad Fur.). Lê livros piedosos, onde encontrarás ouro puro, sem mistura impura alguma. 

   [...]

      Consideremos os preciosos frutos que produz a leitura de bons livros.

   Primeiramente, os bons livros enriquecem o nosso coração de bons pensamentos e santos desejos, ao passo que os maus livros enchem o nosso coração de pensamentos mundanos e sumamente prejudiciais. Quem emprega seu tempo na leitura de livros vãos, pelos quais nascem em sua alma uma multidão de pensamentos mundanos e inclinações terrenas, não poderá de forma alguma permanecer recolhido. Como poderá se ocupar com pensamentos piedosos? Como se conservar na presença de Deus e fazer repetidos atos de virtude? O moinho mói o que nele se põe; como se poderá então esperar uma fina farinha quando se põe um fruto deteriorado? 

   Se alguém, que passou a maior parte do dia na leitura de um livro profano, quer se entregar à oração ou receber a Comunhão, em vez de pensar em Deus e fazer atos de amor e confiança, estará sempre distraído, porque todas aquelas coisas vãs que pouco antes leu, vêm-lhe novamente à lembrança. Pelo contrário, quem lê, por exemplo, as máximas e exemplos dos Santos, estará ocupado com santos pensamentos não só durante a oração, mas também em toda ocasião, e estes o conservam quase ininterruptamente unido a Deus. 

   Em segundo lugar, uma alma que está como que embebida em bons pensamentos pela espiritual, está mais preparada para repelir as tentações do demônio. São Jerônimo deu o seguinte conselho a Sabina, sua filha espiritual: Procura ter sempre um bom livro às mãos, para que te possas defender com esse escudo contra os maus pensamentos. 

   Em terceiro lugar, a leitura espiritual nos facilita o conhecimento das manchas de nossa alma e a purificação das mesmas. São Jerônimo escreve a Demétrias que ela devia servir-se da leitura espiritual como ''de um espelho''; pois, assim como o espelho mostra as manchas no rosto, assim também a leitura de livros espirituais nos aponta as manchas de nossa consciência. 

   Em quarto lugar, pela leitura espiritual obtêm-se muitas luzes e inspirações divinas. "Quando rezamos falamos com Deus, quando lemos é Deus que nos fala'', diz São Jerônimo (Ep. ad Eust.). É o que diz também Santo Ambrósio (De offic., 1.1, c. 30): ''Falamos a Deus quando rezamos; ouvimo-l'O quando lemos''. Como já acima notamos, não podemos ter sempre à nossa disposição o nosso confessor, ou ouvir um pregador zeloso que nos sirva de guia por meio de suas instruções, no caminho do Céu; os livros espirituais, porém, nos oferecem uma compensação por isso. 

  Conforme Santo Agostinho (Enarr. in ps. 30, ser. 2), são eles outras tantas cartas de Nosso Senhor, por meio das quais nos avisa de iminentes perigos, nos mostra o caminho da salvação, nos ensina a suportar as adversidades, ilumina-nos e inflama-nos em Seu santo amor. Quem, pois, desejar salvar-se, deve ler amiúde essas cartas do Céu. 

   Quantos Santos não foram levados, pela leitura de um bom livro, a abandonar o mundo e a se consagrar a Deus! É notório que Santo Agostinho, que viveu muitos anos preso nos laços dos vícios e paixões, ao ler uma epístola de São Paulo, abriu os olhos à luz divina e começou a tender à santidade. Igualmente Santo Inácio de Loyola encetou uma vida perfeita em conseqüência da leitura da vida dos Santos. Por acaso tomou-a nas mãos para distrair-se no seu leito de enfermo, a que estava condenado por ter sido ferido no ataque a Pamplona; com isso converteu-se e tornou-se o fundador da Companhia de Jesus, que é uma Ordem sumamente benemérita da Igreja. São João Colombini, ao ler, quase que contra a sua vontade, um livro espiritual, tomou a resolução de abandonar o mundo, começou uma santa vida e tornou-se o fundador de uma Ordem religiosa. Na história das Carmelitas se narra que uma nobre dama de Viena, que pretendia tomar parte de uma diversão mundana, ao ficar sabendo que esta não se realizaria, cheia de raiva, começou a ler um livro espiritual, que, por acaso, lhe caiu nas mãos. Esse livro inspirou-lhe um tal desprezo pelo mundo, que renunciou a todas as suas vaidades e fez-se carmelita. 

   A leitura de bons livros não foi proveitosa aos Santos unicamente em sua conversão, mas em toda a sua vida, para se manterem firmes no caminho da perfeição e fazerem cada vez maiores progressos nele. São Domingos beijava seus livros espirituais e apertava-os amorosamente ao coração, dizendo: ''Estes livros dão-me o leite que me sustenta''. O grande servo de Deus, Tomás de Kempis, não conhecia maior consolação do que esconder-se em um canto de seu quarto com um livro que tratasse das coisas espirituais. São Filipe Néri empregava todo o tempo livre na leitura de livros espirituais, principalmente da vida dos Santos. 

   Oh! Como é útil tomar a vida dos Santos por objeto de nossa leitura espiritual! Os livros que tratam das virtudes ensinam-nos o que devemos fazer; na história dos Santos vemos, porém, o que de fato fizeram tantos homens e mulheres, rapazes e donzelas, que eram homens como nós. Mesmo que a meditação dos exemplos dos Santos não nos trouxesse outro proveito, nos obrigaria a nos humilharmos profundamente, porque, lendo as grandes coisas que os Santos praticaram, devemos certamente nos envergonhar de ter feito e de fazer ainda tão pouco por Deus. Santo Agostinho dizia de si mesmo: ''Ó meu Deus, quando eu considerava os exemplos de Vossos servos, envergonhava-me de minha preguiça e sentia arder em mim o fogo de Vosso santo amor'' (Conf., I. 9, c. 2). São Francisco de Assis, ao pensar nos Santos e em suas virtudes, sentia-se abrasar em chamas de amor divino (S. Boav., Vita S. Franc., c. 9). 

   São Gregório Magno conta que, em seu tempo, vivia em Roma um homem, chamado Sérvulo, que era muito doentio e devia esmolar a sua subsistência. Dava uma parte das esmolas que recebia aos outros pobres e a outra a empregava na compra de bons livros. Ele não sabia ler e, por isso, pedia àqueles que ele abrigava em sua choupana durante a noite, que lhos lessem. Dessa maneira alcançou uma grande paciência nos sofrimentos, diz S. Gregório, e uma admirável sabedoria nas coisas celestes. Ao morrer, pediu aos seus amigos que lhe lessem alguma coisa; antes, porém, de expirar, interrompeu-os, dizendo: Calai-vos, calai-vos; não ouvis como todo o Céu ressoa com cânticos e aprazível música? Logo depois expirou. Apenas deu o último suspiro, espalhou-se em seu quarto um cheiro celestial, que testemunhava a santidade desse mendigo que, pobre em bens terrenos, porém rico em virtudes e merecimentos, deixara este mundo.

§ II. Maneira de se fazer a leitura espiritual

Para tirar grande proveito da leitura espiritual, devemos observar as seguintes regras: 

1. Antes de começar a ler, devemos pedir a Deus que nos ilumine a respeito do que vamos ler. Já se disse acima que Nosso Senhor mesmo se digna falar conosco na leitura espiritual; por isso, devemos dizer-lhe, tomando o livro nas mãos: ''Falai, Senhor, que Vosso servo escuta''. Fazei-me conhecer a Vossa Vontade, pois Vos quero obedecer em tudo. 

2. Na leitura espiritual não devemos ter a intenção de contentar o nosso desejo de saber ou até nosa curiosidade, mas unicamente procurar crescer no amor de Deus. Quando se lê para se aumentar seus conhecimentos, não é isso leitura espiritual, mas um simples estudo. É coisa pior, porém, ler-se por pura curiosidade, como fazem alguns que, por assim dizer, devoram os livros e nada mais têm em vista do que a satisfação de sua curiosidade. Que proveito poderão tirar de tal leitura? Todo o tempo que empregam nisso é perdido. Muitos leem, e leem muito, diz São Gregório (Hom. in Ezeq.), e, apesar disso, seu espírito não fica saciado, porque leem só por curiosidade.

3. Para tirar proveito dos livros espirituais devemos lê-los com vagar e ponderação.''Pela leitura espiritual tua alma deve ser alimentada'', diz Santo Agostinho. Ora, querendo alimentar-se convenientemente, não se deve engolir a comida, mas antes, mastigá-la bem. Pondera, pois, bem, o que lês, e procura aplicá-lo a ti mesmo. E se o que leste te causou uma forte impressão, segue o conselho de Santo Efrém (De pat. et. cons. saec.) e torna a ler repetidas vezes. 

4. Se recebemos uma luz especial durante a leitura, ao se nos depar um belo pensamento ou uma ação virtuosa que nos comove o coração, devemos parar um pouco, para elevar a nossa mente a Deus, fazer um propósito, um ato de piedoso afeto e uma fervorosa súplica a Deus. Não faz nenhum mal se, entretanto, se escoa todo o tempo determinado para a leitura, pois um proveito maior do que o sobredito não podemos tirar da leitura espiritual. Muitas vezes a leitura de algumas linhas é mais proveitosa do que a de uma página inteira. 

5. Finalmente, antes de fechar o livro, alma cristã, deves reter na memória algum pensamento piedoso que encontraste, para te ocupares com ele durante o dia, à semelhança do que se costuma fazer quando se passa por um jardim, apanhando-se uma flor para levá-la consigo. 

__________
Fonte da Transcrição

O ROSÁRIO MEDITADO

Por São Luiz Maria Grignion de Montfort



BENEFÍCIOS DA RECITAÇÃO DO ROSÁRIO


1º   Os pecados obtêm o perdão; 
2º   As almas sedentas se saciam;
3º   Os que estão atados veem seus laços desfeitos;
4º   Os que choram encontram alegria;
5º   Os que são tentados encontram tranquilidade;
6º   Os pobres são socorridos;
7º   Os religiosos são reformados;
8º   Os ignorantes, instruídos;
9º   Os vivos triunfam da vaidade;
10º E os mortos são aliviados por meio de sufrágios.

CREDO:
1º) Fé na presença de Deus;
2º) Fé no Evangelho;
3º) Fé e obediência ao Papa como Vigário de Jesus Cristo.

Padre Nosso: Unidade de um só Deus, vivo e verdadeiro.
1ª Ave Maria: Em honra do Pai Eterno, que gera seu Filho contemplando-se.
2ª Ave Maria: Em honra do Verbo Eterno, igual ao Pai, que com Ele produz o Espírito Santo.
3ª Ave Maria: Em honra do Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho por via de amor.

MISTÉRIOS GOZOSOS


1º Mistério - ANUNCIAÇÃO DO ANJO E ENCARNAÇÃO DO VERBO
Padre Nosso: Caridade de Deus, imensa.
Ave Maria, para lamentar o desgraçado estado de Adão desobediente, sua justa condenação e a de todos os seus filhos.
Ave Maria, para honrar:
2ª os desejos dos patriarcas e profetas, que pediam a vinda do Messias;
3ª os desejos e as preces da Santíssima Virgem, que apressaram a vinda do Messias;
4ª a caridade do Pai Eterno, que nos deu Seu divino Filho;
5ª o amor do Filho, que se entregou por nós;
6ª a embaixada e a saudação do arcanjo Gabriel;
7ª o temor virginal de Maria;
8ª a fé e o consentimento da Santíssima Virgem;
9ª a criação da alma e a formação do Corpo de Jesus Cristo no seio de Maria, pelo Espírito Santo;
10ª a adoração do Verbo Encarnado, pelos anjos, no seio de Maria.

2º Mistério - VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA A SUA PRIMA ISABEL
Padre Nosso: Majestade de Deus, adorável.
Ave Maria, para honrar:
1ª o gozo do Coração de Maria e a morada durante 9 meses, do Verbo em seu seio;
2ª o sacrifício que Jesus Cristo fez de si mesmo ao Pai, ao entrar neste Mundo;
3ª as complacências de Jesus no seio humilde e virginal de Maria, e de Nossa Senhora, no gozo doseu Deus;
4ª a dúvida de São José acerca da maternidade de Maria;
5ª a eleição dos escolhidos, combinada entre Jesus e Maria, em seu seio;
6ª o fervor de Maria na sua visita a Santa Isabel;
7ª a santificação de João Batista no ventre de sua mãe;
8ª a gratidão da Santíssima virgem com Deus, no Magnificat;
9ª a sua caridade e humildade em servir sua prima;
10ª a mútua dependência de Jesus e de Maria, e a devoção que devemos ter para com um e outra.

3º Mistério - NASCIMENTO DE JESUS
Padre Nosso: Riquezas de Deus, infinitas.
Ave Maria, para honrar:
1ª os desprezos e injúrias feitas a Maria e a São José em Belém;
2ª a pobreza do estábulo onde Deus veio ao mundo;
3ª a alta contemplação e o excessivo amor de Maria no momento de dar à luz;
4ª a saída do Verbo Eterno do seio de Maria sem romper o selo de sua virgindade;
5ª as adorações e cânticos dos anjos no nascimento de Jesus;
6ª a formosura arrebatadora de Sua divina infância;
7ª a vinda dos pastores ao estábulo, com seus presentes;
8ª a circuncisão de Jesus Cristo e Suas dores amorosas;
9ª a imposição do nome de Jesus Cristo e suas grandezas;
10ª a adoração dos reis magos e seus presentes.

4º Mistério - PURIFICAÇÃO DE NOSSA SENHORA, APRESENTAÇÃO NO TEMPLO
Padre Nosso: Sabedoria de Deus, eterna.
Ave Maria, para honrar:
1ª a obediência de Jesus e de Maria à Lei;
2ª o sacrifício que ali fez Jesus de sua Humanidade;
3ª o sacrifício que ali fez Maria de sua honra;
4ª o gozo e os cânticos de Simeão e Ana, a profetisa;
5ª o resgate de Jesus pela oferenda de duas rolas;
6ª a matança dos santos inocente;
7ª a fuga de Jesus para o Egito, pela obediência de São José à voz do anjo;
8ª a estadia misteriosa no Egito;
9ª a Sua volta para Nazaré;
10ª o seu crescimento em idade, sabedoria e graça.

5º Mistério - ENCONTRO DE JESUS NO TEMPLO
Padre Nosso: Santidade de Deus, incompreensível.
Ave Maria, para honrar:
1ª a Sua vida oculta, laboriosa e obediente na casa de Nazaré;
2ª sua pregação e encontro no Templo entre os doutores;
3ª seu jejum e tentações no deserto;
4ª seu Batismo por São João Batista;
5ª sua pregação admirável;
6ª seus milagres portentosos;
7ª a eleição de seus 12 Apóstolos e os poderes que lhes dá;
8ª sua transfiguração maravilhosa;
9ª o lava-pés dos Apóstolos;
10ª a instituição da Sagrada Eucaristia.

MISTÉRIOS DOLOROSOS


1º Mistério - AGONIA DE JESUS NO HORTO
Padre-Nosso: Felicidade de Deus, essencial.
Ave Maria, para honrar:
1ª os divinos retiros que fez Jesus em Sua vida, principalmente no horto;
2ª suas orações humildes e fervorosas durante Sua vida e na véspera da Paixão;
3ª a paciência e doçura com que suportou Seus Apóstolos, particularmente no Horto;
4ª o tédio de sua Alma durante toda a Sua vida, principalmente no Horto;
5ª os rios de sangue que a dor fez brotar de seu Ser adorável;
6ª o consolo que teve por bem aceitar de um anjo na agonia;
7ª sua conformidade com a Vontade do Pai, apesar da repugnância de Sua natureza;
8ª Sua traição por Judas e prisão pelos judeus;
9ª o valor com que saiu ao encontro dos algozes e a força da palavra com que os lançou por terra e os levantou;
10ª o abandono que sofreu de Seus Apóstolos.

2º Mistério - A FLAGELAÇÃO
Padre-Nosso: Paciência de Deus, admirável.
Ave Maria, para honrar:
1ª as cordas com que Jesus foi atado;
2ª a bofetada que recebeu em casa de Caifás;
3ª as negações de São Pedro;
4ª as ignomínias que sofreu em casa de Herodes, quando lhe puseram a veste branca;
5ª o despojamento de Suas vestes;
6ª os desprezos e insultos que sofreu de Seus verdugos pela Sua nudez;
7ª as varas espinhosas e os açoites cruéis com que foi golpeado;
8ª a coluna em que foi atado;
9ª o sangue que derramou e as chagas que recebeu;
10ª a Sua queda pela fraqueza no sangue que derramou.

3º Mistério – COROAÇÃO DE ESPINHOS
Padre-Nosso: Formosura de Deus, inefável.
Ave-Maria, para honrar:
1ª o despojamento de Suas vestes pela terceira vez;
2ª a Sua coroa de espinhos;
3ª o véu com que Lhe vendaram os olhos;
4ª as bofetadas e os escarros com que Lhe cobriram o rosto;
5ª o andrajo que Lhe puseram sobre os ombros;
6ª a cana que Lhe puseram nas mãos;
7ª a pedra pontiaguda sobre a qual O sentaram;
8ª os ultrajes e os insultos que Lhe fizeram;
9ª o sangue e os suores que saíam de Sua cabeça adorável;
10ª os cabelos e a barba que Lhe arrancaram.

4º Mistério - JESUS CARREGA A CRUZ
Padre-Nosso: Onipotência de Deus, sem limites.
Ave-Maria, para honrar:
1ª apresentação de Nosso Senhor diante do povo com o “Ecce Homo”;
2ª o haver sido preferido a Barrabás;
3ª os falsos testemunhos que contra Ele deram;
4ª Sua condenação à morte;
5ª o amor com que abraçou e beijou a Cruz;
6ª o trabalho espantoso que teve em carregá-la;
7ª as quedas de pura debilidade sobre Seu peso;
8ª o encontro doloroso com Sua Santa Mãe;
9ª o véu de Verônica, no qual Seu rosto se estampou;
10ª suas lágrimas, as de Sua Santa Mãe e das piedosas mulheres que O seguiram até o Calvário.

5º Mistério – A CRUCIFICAÇÃO
Padre-Nosso: Justiça de Deus, espantosa.
Ave Maria, para honrar:
1ª as cinco chagas de Jesus e o sangue que derramou na cruz;
2ª seu coração traspassado e a Cruz em que foi crucificado;
3ª os cravos e a lança que O atravessaram;
4ª a vergonha e a infâmia que sofreu, sendo crucificado entre dois ladrões;
5ª a compaixão de Sua Mãe Santíssima;
6ª as sete últimas palavras;
7ª Seu desamparo e Seu silêncio;
8ª a aflição de todo o Universo;
9ª Sua morte cruel e ignominiosa;
10ª a descida da Cruz e sepultamento.

MISTÉRIOS GLORIOSOS


1º Mistério - A RESSURREIÇÃO DE JESUS
Padre-Nosso: Eternidade de Deus, sem princípio.
Ave Maria, para honrar:
1ª a descida da Alma de Nosso Senhor aos Infernos;
2ª o gozo e a saída das almas dos Santos Padres que estavam no Limbo;
3ª a reunião de Sua Alma e de Seu Corpo no sepulcro;
4ª sua milagrosa saída do Sepulcro;
5ª suas vitórias sobre a morte, o pecado, o mundo e o demônio;
6ª os quatro dons gloriosos de Seu Corpo;
7ª o poder que Lhe deu Seu Pai no céu e na terra;
8ª as aparições com que honrou Sua Santa Mãe;
 9ª as conversações sobre o Céu e a Ceia que fez com Seus Apóstolos;
10ª a autoridade e missão que lhes deu, para que fossem pregar por toda a Terra.

2º Mistério – ASCENSÃO DE JESUS
Padre-Nosso: Imensidade de Deus, sem limites.
Ave Maria, para honrar:
1ª a promessa que fez Jesus aos Apóstolos de lhes enviar o Espírito Santo, e a ordem que lhes deu de se prepararem para O receber;
2ª a reunião no Monte das Oliveiras;
3ª a benção que lhes deu ao se elevar da Terra aos Céus;
4ª Sua gloriosa e admirável Ascensão por Sua própria virtude até o Céu Empíreo;
5ª O recebimento e o triunfo que lhe fez Deus, Seu Pai, e toda a corte celestial;
6ª o poder triunfante com que abriu as portas do Céu, onde nenhum mortal havia entrado;
7ª seu assento à direita do Pai, como Seu Filho querido, igual a Ele mesmo;
8ª o poder que Lhe deu de julgar os vivos e os mortos;
9ª Sua última vinda sobre a Terra, na qual Seu poder e majestade aparecerão em todo o seu esplendor;
10ª a justiça que fará no último Juízo, recompensando os bons e castigando os maus por toda a eternidade.

3º Mistério - VINDA DO ESPÍRITO SANTO SOBRE MARIA E OS APÓSTOLOS
Padre-Nosso: Providência de Deus, universal.
Ave Maria, para honrar:
1ª a Verdade do Espírito Santo, Deus que procede do Pai e do Filho, e que é o Coração da Divindade;
2ª o dom do Espírito Santo pelo Pai e pelo Filho sobre os Apóstolos;
3ª o grande estrondo com que desceu, sinal de Sua força e Seu poder;
4ª as línguas de fogo que enviou sobre os Apóstolos, para lhes dar a inteligência das Escrituras, o amor de Deus e do próximo;
5ª a plenitude de graças com que distinguiu Maria, Sua fiel esposa;
6ª Sua conduta maravilhosa, com os santos e com o próprio Jesus Cristo, a quem guiou durante toda a vida;
7ª os doze frutos do Espírito Santo (a Caridade, o Gozo, a Paz, a Paciência, a Benignidade, a Bondade, a Longanimidade, a Mansidão, a Fé, a Modéstia, a Continência e a Castidade);
8ª os sete dons do Espírito Santo (A Sabedoria ou Sapiência, o Entendimento, o Conselho, a Fortaleza, a Ciência, a Piedade e o Temor de Deus);
9ª para pedir em particular o dom da Sabedoria e a vinda de Seu reino aos corações;
10ª para obter a vitória sobre os três espíritos que Lhe são opostos, a saber: o espírito da carne, do mundo e do demônio.

4º Mistério – ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA
Padre-Nosso: Liberalidade de Deus, inenarrável.
Ave Maria, para honrar:
1ª a predestinação eterna de Maria, como obra-prima das mãos de Deus;
2ª Sua Conceição Imaculada, a plenitude de graças e o uso da razão no seio de sua mãe;
3ª Sua Natividade que regozijou todo o Universo;
4ª Sua apresentação e sua vida no Templo;
5ª Sua vida admirável e isenta de todo pecado;
6ª a plenitude de suas virtudes singulares;
7ª Sua virgindade fecunda e seu parto sem dor;
8ª Sua maternidade divina e sua aliança com a Santíssima Trindade;
9ª Sua morte preciosa e cheia de amor;
10ª Sua Ressurreição e Assunção triunfante.

5º Mistério - COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA RAINHA DOS CÉUS
Padre-Nosso: Glória de Deus, inacessível.
Ave Maria, para honrar:
1ª a tríplice coroa com que a Santíssima Trindade coroou Maria;
2ª o gozo e a glória nova que recebeu o Céu por seu triunfo;
3ª para reconhecê-la como Rainha do Céu e da Terra, dos anjos e dos homens;
4ª a tesoureira e dispensadora de todas as graças de Deus, dos méritos de Jesus Cristo e dos dons do Espírito Santo;
5ª a Medianeira e Advogada dos homens;
6ª a destruidora e a ruína do demônio e das heresias;
7ª o refúgio seguro dos pecadores;
8ª a mãe e nutriz dos cristãos;
9ª a que é gozo e doçura dos justos;
10ª a que é asilo universal dos vivos, consolo todo-poderoso dos aflitos, dos moribundos e das almas do purgatório.