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Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 30 e Dia Seguinte

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)



DIA 30
III. Evitar também o pecado venial

Ainda uma lição só, uma das mais úteis para minha alma.
É a queixa que se ouve de quase todas as almas do Purgatório, pois quase todas sofrem por não terem compreendido bas­tante o alcance do pecado venial.
«Nós dizíamos na terra: É um simples pecado venial, e nos deixávamos levar por esse pendor de nosso coração, nos deixávamos ganhar por essa pequena sa­tisfação dos sentidos. Mas, como se dis­sipou essa ilusão, quando, à hora da mor­te, vimos, na luz do Senhor, as lamentá­veis consequências dessas faltas!
Felizes, todavia, por não nos terem sido de mais terríveis consequências! Sim, esses pecados veniais podiam nos conduzir ao inferno.
Os pecados veniais não condenam, é certo, mas, com inteligência, com malícia, em grande número e sem que se os apa­gue com a devida penitência, conduzem pouco a pouco, por um declive insensível, mas resvaladiço, ao pecado mortal que condena.
Conduzem a esse termo fatal pelo en­fraquecimento progressivo de todas as forças vivas da alma:
Pela diminuição do horror do mal;
Pela excitação e desenvolvimento das paixões;
Pela subtração de certas graças espe­ciais de distinção;
Por mil caminhos a um tempo.
E quando a alma, neste estado, não se converte, muitas vezes só a morte, vindo-lhe ao encontro, pode livrá-la de rolar até o fundo do abismo: porém, oh! Deus nem sempre usa a misericórdia de enviar a morte bastante cedo para prevenir que o homem nessa voluntária cegueira consu­ma a sua desgraça!
Deus nos fez esta graça: deu-nos a morte em hora oportuna; mas, terrível castigo o nosso! que dura expiação a que sofremos!
A cada um dos nossos pecados veniais corresponde uma medida de penas. E, se Deus contou em nossa consciência milha­res de pecados veniais, qual será o rigor e a duração das penas que ainda nos estão reservadas!
Considerai também, ó amigos que na terra vos interessais por nós, considerai que o Purgatório não é o castigo só dos pecados veniais, ainda subsistentes na hora da morte, mas o castigo de todos os pecados perdoados e não expiados.
Oh! vivei, pois, na justiça, na santidade no temor de Deus!
Vós, que amais, evitai nossa triste sorte: sofrereis muito!»




DIA SEGUINTE
Perseverança em Orar pelos Mortos


Ao cabo deste mês, consagrado às Almas do Purgatório, me é permitido levantar os olhos ao Céu e perguntar a mim mesmo, se, com as minhas orações de todos os dias por essas almas, com a minha assidui­dade em lhes dar, todos os dias, a parte satisfatória de minhas obras e aplicar-lhes as indulgências que lucrei, não teria eu contribuído para que alguma delas fosse chamada a gozar da visão de Deus?!
Oh! se assim fosse, meu Deus, se eu pudesse dizer: Há no Céu, a esta hora, uma alma que me deve o seu resgate do Purgatório: uma alma que fala de mim ao bom Deus, que o glorifica em meu nome, que por mim louva e ama a San­tíssima Virgem! se assim fosse, quanto seria eu feliz!
Só poderei sabê-lo por um milagre, e esse milagre, eu não o peço: mas, o que sei e ouso afirmar é que, cedo ou tarde, se continuar as minhas orações, meus su­frágios, o dom generoso dos próprios mé­ritos que para mim só posso reservar, e se, ao mesmo tempo, eu me conservar em estado de graça, um dia gozarei essa ale­gria de ter resgatado uma alma do Purgatório.
Não quero, portanto, deixar de interes­sar-me por essas almas desditosas! Vai nisso, a glória de Deus; vai nisso minha salvação também!
Em algumas comunidades, vê-se à porta da capela ou do refeitório, um quadro com o título de sorteio espiritual em favor das Almas do Purgatório.
Aí, precedidas por um número ordinal, são designadas por uma denominação par­ticular muitas das Almas do Purgatório.
Abaixo do quadro, numa caixinha ou bolsa, está uma série de números corres­pondente à do quadro e, todas as segun­das-feiras, cada Religioso, ao passar, tira um desses números, e deve, durante a semana, aplicar o fruto de suas orações e obras à alma que assim lhe é designada.
Reproduzimos uma parte deste quadro, que poderá servir para direção de nossas intenções.


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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 29

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)


DIA 29
II. Reparar os pecados pela penitência

Santa Brígida viu, um dia, ante o So­berano Juiz, uma alma do Purgatório, que estava trêmula e confusa e a quem era intimada que declarasse publicamente os pecados que não tinham sido seguidos de penitência suficiente e que lhe haviam me­recido a punição que sofria.
A alma exclamava com uma voz que cortava o coração: Infeliz de mim, infeliz! — e em soluços, fazia a enumeração de tudo o que a manchava e prendia tão longe do Céu.
Não reproduziremos essa visão, mas dela extrataremos a relação das principais faltas que, como vermes roedores, torturam uma pobre alma do Purgatório.
«Perdi meu tempo, esse tempo bem pre­cioso do qual todos os momentos podiam servir para expiar meus pecados, praticar uma virtude, merecer o Céu: eu o perdi em conversações fúteis, em ocupações banais e sem objeto, em leituras recrea­tivas demasiado prolongadas; — é por isso que sofro!
Esqueci por negligência minhas penitên­cias sacramentais: as fiz mal por dissipação, e aceitei-as sem espírito de fé: — é por isso que sofro!
Caí em murmurações contra meus supe­riores, meu confessor, meus parentes; mur­murações leves, sem dúvida, mas partidas do amor próprio magoado, da falta de res­peito, do ciúme; — é por isso que sofro!
Consenti em pensamentos de vaidade a respeito do trajar, sobre os acessórios da casa, acerca de predicados de família; vesti-me com orgulho, segui as modas com ostentação, afetei um asseio exagerado; — é por isso que sofro.
Eu me proporcionei, sem nenhuma ne­cessidade, pequenas sensualidades durante minhas refeições e fora delas, num viver voluptuoso e descuidado, num zelo exces­sivo do bem estar, no abuso do descanso corporal, na fuga de tudo que natural­mente modificaria os sentidos;— é por isso que sofro!
Em conversação, atirei ditos espirituosos com o fim de ser elogiado, apreciado, distinguido, e para brilhar mais que os outros; — é por isso que sofro!
Faltei à caridade que me chamava em socorro do próximo: faltei à caridade, deixando de o consolar, de o defender, de o aconselhar ao bem; conservando volun­tariamente um pequeno pensamento de rancor, de inveja; — é por isso que sofro!
Omiti por negligência e incúria muitas comunhões que me eram permitidas: fui remisso em minhas devoções, pouco apli­cado em meu terço e na oração; — é por isso que sofro!»
Meu Deus! como estas confissões me instruem!



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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 28

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)



LIÇÕES DADAS PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO

DIA 28
I. Horror ao pecado

Que boas lições, diz o Padre Faber, po­demos retirar da meditação do Purgatório!
A primeira, a que domina todas as ou traz, é o amor da pureza, em geral, e como consequência, o temor de ofender a Deus, a fuga das ocasiões do pecado, — o desejo de mortificar-se para expiar as próprias faltas, — o zelo em ganhar as indulgências.
Apenas desprende-se do corpo, a alma se encontra, sem poder explicar como se dá isto em face de Deus, a quem vê, a quem conhece… e sente-se naturalmente atraída a ele com uma violência que nada tem de comparável na terra… Mas, de re­pente, revela-se-lhe a pureza de Deus, — essa pureza que é alguma coisa de indizível em linguagem humana, e, conhecendo-se ainda maculada, embora levemente, concebe tal horror de seu estado e logo tal desejo de se purificar para se unir a Deus, que se precipita incontinente nas chamas do Purgatório onde espera a sua purificação.
Assim entende Santa Catarina de Gê­nova, a qual acrescenta: «Se esta alma conhecesse outro Purgatório mais terrível, em que se purificasse mais depressa, aí é que ela se arrojaria na veemência de seu amor por Deus. Havia de preferir mil vezes cair no inferno a comparecer ante a Divina Majestade com a mais ligeira mancha.»
E, no Purgatório, essa alma justa e amante deixa de olhar tudo o mais para fixar duas coisas: a pureza de Deus a quem ama, e a necessidade de se tornar digna dessa pureza.
Entretanto, sofre, e sua dor é tanto mais viva quanto ela ignora completamente quando cessará o exílio que a tem longe de Deus! Diz ainda Santa Catarina: «É tão cruciante a pena, que a língua não pode exprimi-la, nem a inteligência con­ceber-lhe o rigor. Conquanto Deus em sua bondade me tenha permitido entrevê-la um instante, não a posso descrever… Todavia, se uma alma, que ainda não está purificada, fosse admitida à visão de Deus, sofreria dez vezes mais do que no Purga­tório; porque não estaria em condições de acolher os efeitos dessa bondade ex­trema e misericordiosa justiça. »
Não é verdade que tal doutrina nos faz temer a menor falta e amar cada vez mais a pureza? Roguemos às almas do Purgatório que nos alcancem o horror do pecado.


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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 27

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)


DIA 27

Quarto meio: — O ato heroico

Um derradeiro meio que encerra em si todos os outros é o ato heroico, que con­siste em aplicar às almas do Purgatório tudo de que podemos dispor em nossas orações e obras pessoais, e ainda em ceder-lhes a aplicação que nos tocar das orações e obras de outros.
O ato heroico é o mais próprio das al­mas que só se julgam felizes quando, de­pois de haverem dado tudo, dão-se a si mesmas; por isso a instituição desse ato foi bem aceita e ele é praticado com fervor.
Demais, esse ato não empobrece a nin­guém; antes, centuplica o mérito de todas as nossas boas obras. — O mérito de uma obra procede, com efeito, da caridade, e quanto maior caridade houver em uma ação, mais meritória será ela para quem a faz. Ora, haverá na vida cristã ato mais cheio de verdadeira caridade do que aquele, pelo qual, despojando-nos de todo o mé­rito satisfatório de nossas orações e boas obras, nós o oferecemos a Deus para que o aplique, ele mesmo, às almas do Purgatório?
Esse ato heroico centuplica o fruto impetratório de nossas boas obras. Quan­do pedimos a Deus uma graça, não somos sós a pedir; milhares de almas, as almas em beneficio das quais fizemos esse ato, pedem conosco: pedem do Céu, se já o gozam; pedem do Purgatório, se ainda nele estão!
O ato heroico pode ter a seguinte fór­mula:
«Para vossa gloria, ó meu Deus, e para imitar o mais possível o generoso Cora­ção de Jesus, meu Redentor, e também com o fim de mostrar minha dedicação à Santa Virgem, minha Mãe, que é também Mãe das almas do Purgatório, deponho em suas mãos todas as minhas obras sa­tisfatórias, assim como o valor de todas as que houverem de ser feitas em minha intenção depois de minha morte, para que Ela aplique tudo às almas do Purgatório, segundo sua sabedoria e à sua discreção.»
Esse ato dá aos sacerdotes altar privilegiado todos os dias do ano; aos fieis, uma indulgência plenária com que podem livrar uma alma do Purgatório todas as vezes que comungam e todas as segundas-feiras, ouvindo a santa Missa pelos de­funtos, contanto que visitem nesse dia uma igreja, e orem segundo as intenções do Sumo Pontífice; além disso, podem apli­car aos mortos todas as indulgências que, pela letra das concessões, não lhes fossem aplicáveis.
Quem recusará fazer esse ato, ato de ge­nerosidade, por certo, mas também ato que a Igreja remunera com tanta largueza e a que Deus será reconhecido no Céu?
Eu faço-o em toda a sua extensão: digo com alegria essa fórmula que me é indi­cada, e formo a intenção de renová-la, ao menos de coração, em todas as minhas comunhões.
Que não faria eu, meu Deus! que não daria eu com o fim de contribuir para vossa glória e poupar o sofrimento a meus defuntos tão pranteados!


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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 26

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)



DIA 26
Terceiro meio: — O jejum, as mortificações, a esmola

Os atos de mortificação, em geral, nos fazem mais comedidos, mais piedosos e, consequentemente, mais agradáveis a Deus; as orações que conjuntamente fazemos são acolhidas mais favoravelmente: Deus não repele o coração contrito e humilhado; mas, além do valor que esses atos dão a nossas orações, eles são por si mesmos uma reparação em favor das almas do Purgatório.
Estas almas sofrem porque foram ne­gligentes, sensuais, tíbias, pouco submis­sas… e nós, esforçando-nos por sermos mais ativos nos trabalhos, mais firmes na resistência às tentações, mais mortificados nos sentidos, mais generosos para dar, reparamos o que elas fizeram mal, — su­primos o que omitiram, — compensamos o que fizeram de modo imperfeito, e, assim, pagamos realmente a Deus as dívidas, que contraíram.
Sofrem essas almas, porque buscaram com sofreguidão os prazeres do mundo, permitidos, sim, mas em certos limites e moderadamente; — abandonaram-se a uma curiosidade que feriu a delicadeza de sua virtude, tiveram alguma sensualidade em suas refeições… Oh! pois que Deus nos aceita como reparadores e redentores em favor delas, privemo-nos de assistir àque­la festa mundana que nos impediria de orar com recolhimento; não vamos aonde nos convida a simples curiosidade, embo­ra não pareça repreensível; — evitemos o que pode lisonjear nossas paixões, — sejamos, sobretudo, severos observadores dos jejuns e da abstinência imposta pela Igreja.
Meus pobres mortos, sei que padeceis, e hei-de entregar-me ao prazer? privando-me apenas do que seria um perigo para minha alma, posso aliviar-vos, e não o farei? Ó meu Deus, aqui estou! feri a mim, porém poupai a eles! acudi-lhes!
Façamos também a esmola em intenção de nossos finados.
Quando um pobre bate à nossa porta, nós lhe dizemos, entregando o que nos é possível dar; Pedi por meus pobres mor­tos! Oh! se nos fosse dado ver o que nossa esmola faz da oração desse men­digo! Faz dela, afirma S. João Crisóstomo, a amiga de Deus, oração sempre escutada; nossa esmola em suas mãos torna-se al­guma coisa de onipotente: move o coração de Deus, alcança dele tudo quanto quer. — Passa-se uma espécie de contrato entre Deus e o homem: nós damos capitais, bens; privamo-nos para dar; Deus, em compensação, em troca, dá o alivio, e o resgate àquelas almas.
Se soubermos que nossos mortos deixa­ram dívidas, quitemo-las pronta e genero­samente.
Se soubermos que eles cometeram algu­ma injustiça, vamos repará-la, e, dando a esmola, tenhamos a intenção de compensar os danos que possam ter causado e que ignoramos.
Se nos fizeram algumas recomendações, não tardemos de cumpri-las.
Se nos pediram Missas, providenciemos para que se celebrem o mais prontamente possível.
A vontade e até os desejos dos mori­bundos devem ser sagrados.



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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 25

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)



DIA 25
Segundo meio: — A Santa Missa

É o meio mais eficaz e mais pronto para, aliviar e libertar as almas de nossos mortos.
A cada Missa celebrada com devoção, diz S. Jerônimo, saem muitas almas do Purgatório. — E não sofrem tormento al­gum durante a Missa aplicada por elas, acrescenta o mesmo Doutor.
Na Missa, é o próprio Jesus que se oferece ao Eterno Padre em troca, por assim dizer, da alma de quem se lhe pede o livramento. — Um santo sacerdote, diz o Cura d’Ars, orava por certo amigo que ele sabia estar no Purgatório: veio-lhe a ideia de que não podia fazer nada de me­lhor do que oferecer por sua alma o santo sacrifício da Missa. Chegado o mo­mento da consagração, tomou a hóstia en­tre as mãos e disse: «Pai santo e eterno, façamos uma troca. Vós tendes a alma de meu amigo que está no Purgatório, e eu tenho em minhas mãos o corpo de vosso Filho: pois bem! livrai meu amigo e eu vos ofereço vosso Filho com todos os méritos de sua Paixão e Morte.» No mo­mento da elevação, viu ele a alma do amigo que, toda radiante de glória, subia ao Céu.
Na santa Missa, é o sangue de Jesus com que se quer libertar, e este sangue tem valor infinito.
A indignidade daquele que manda dizer a Missa ou mesmo de quem a diz, não tira o valor da oferenda. Qualquer outra oração ou obra boa, feita em estado de pecado mortal, é uma obra morta, mas o sacrifício da Missa tem sempre intrinsecamente o mesmo valor. «Seu mérito, diz Bourdaloue, não depende da santidade de quem o oferecer, e muito menos de quem o faz oferecer, mas é ligado só à pessoa de Jesus Cristo e ao preço de seu san­gue; donde segue-se que um pecador, ain­da em seu estado desordenado, pode con­tribuir para o repouso das almas do Pur­gatório… Pode e deve-o, tanto mais quanto este sacrifício é o único meio que ele tem de suprir a impotência em que está de socorrer de outro modo essas al­mas predestinadas. Deus olha a Hóstia que se apresenta, que é Jesus Cristo, e não aqueles pelo ministério ou cuidado de quem ela lhe é oferecida.»
Farei, portanto, oferecer a santa Missa por meus finados. Se não puder, ouvirei a Missa por eles: ouvir a Missa, unir-se ao sacerdote que a celebra, é oferecer também a santa vítima. «Lembrai-vos, Se­nhor — diz o sacerdote ao ofertório — de vossos servos aqui presentes por quem vos oferecemos este sacrifício ou que vo-lo oferecem eles mesmos.»
Comungarei por eles: a santa comunhão é, depois do santo sacrifício, o ato mais sublime da religião, o que dá mais gloria a Deus; o que, pelos sentimentos de hu­mildade, contrição e amor que desperta na alma, constitui uma das obras satisfatórias mais úteis.


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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 24

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)



DIA 24
Primeiro meio: — A Oração

A oração, feita diretamente pelas almas do Purgatório, é a súplica de um filho a Deus para que se mostre bom e miseri­cordioso.
A uma oração feita assim, no fundo da alma, será Deus insensível?
De mais, a oração, quando parte de um coração puro e é feita com instância, tem por si só, diz S. Tiago, uma força imensa. Eleva-se até o coração de Deus, penetra nesse coração, comove-o, e lhe arranca, de alguma sorte, a despeito de sua justiça, o perdão e a misericórdia.
Portanto, eu rogarei muito a Deus por meus mortos, farei a Deus esta violência que lhe é tão grata.
Entre minhas orações, empregarei, de preferência, as que são indulgenciadas: o Terço, a Via Sacra, invocações espe­ciais… etc.
Uma indulgência é a remissão total ou parcial das penas temporais devidas aos pecados já perdoados quanto à ofensa e à pena eterna: essa remissão é outor­gada pela Igreja, que recebeu de seu di­vino Fundador o poder de fazê-lo pela aplicação dos méritos superabundantes do mesmo Jesus Cristo e dos Santos.
Aos que vivem neste mundo, como ain­da estão sob a jurisdição do Papa, é este quem aplica as indulgências a modo de absolvição por força destas palavras de Jesus Cristo: «Tudo o que remitirdes na terra será remitido no Céu.» Quanto aos mortos, não estando mais sob essa juris­dição, as indulgências só lhes são aplica­das por modo de sufrágio, isto é, o Papa toma do tesouro da Igreja, formado pelos méritos de Jesus Cristo e dos Santos, o que sua prudência julga conveniente e o faz oferecer pelos fieis, em favor dos de­funtos, a Deus que o aceita em satisfação por eles. Assim, os vivos substituem os mortos em virtude da comunhão, dos san­tos. É o que faz Sto. Tomás dizer que a indulgência não é uma pura remissão, mas uma espécie de resgate.
Doutrina consoladora! Ela me dá oca­sião de ser bom para com os meus defun­tos: incute-me a convicção de que posso acumular para eles, proporciona-me o pra­zer de fazer por eles alguns sacrifícios, e expiar assim a falta de afeição e de re­conhecimento de minha parte que, durante sua vida, lhes foi sem dúvida tão sensível!
Uma indulgência é uma chave que a Igreja me confia para penetrar em seu tesouro, onde estão os méritos de Jesus Cristo e dos Santos, com permissão de retirar a soma que ela mesma indicou; — esta soma de méritos, eu a entrego a Deus para solver as dívidas das almas do Purgatório, e Deus a aceita, aplicando-a na medida que julga de conveniência.
Oh! quanto sois verdadeiramente mãe, vós que nos entregais assim os vossos tesouros: — eu quero, pois, eu vou me aproveitar deles!



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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia

Novembro - Mês das Almas do Purgatório - 23

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)


Meios que nos fornece a Igreja para aliviar as almas do Purgatório

DIA 23
Meios Gerais

Graças, meu Deus, mil graças de terdes em vossa infinita misericórdia permitido a meu coração fazer bem a meus pobres finados e de haverdes multiplicado em redor de mim os meios de fazê-lo.
Esses meios, diz um piedoso autor, são tão numerosos como as pulsações de meu coração, como meus pensamentos, como minhas palavras, meus suspiros, minhas ações, porque não há uma só destas coi­sas que não lhes possa aproveitar.
Um movimento do coração em sua intenção, — um olhar para o Céu em sua lembrança, — um suspiro de piedade por eles, — um pensamento de compaixão so­bre os males que sofrem, — os nomes de Jesus e de Maria pronunciados com devo­ção em seu favor,—a menor obra boa em recordação deles, — diminuem certamente suas penas, contanto que a caridade tenha parte nisso e que esteja em estado de graça aquele que pensa neles e por eles trabalha.
Realmente custa-nos muito pouco su­fragar os defuntos. Somos obrigados a fazer certas orações, quer em particular, quer em público, — a assistir à santa Missa, ao menos nos domingos e festas de pre­ceitos, — a aproximar-nos dos sacramen­tos em certas épocas, a fazer alguns jejuns e esmolas, — a perdoar aos nossos inimi­gos. — Tudo isto, se, estando na graça de Deus, o oferecemos pelas almas do Pur­gatório, é aceito por Deus e serve para alívio delas.
E os males de todos os dias? os dissa­bores que perturbam quase continuamente nossa vida, — a fadiga do trabalho obrigatório, — as enfermidades enviadas discre­tamente por Deus, — as humilhações ime­recidas, a intempérie inevitável das esta­ções, a tarefa de suportar os humores e caprichos dos que nos rodeiam, tudo isso ainda pode servir para expiar nossos pe­cados e os pecados das pobres almas do Purgatório.
Aceitemos, pois, tudo o que o bom Deus permite, sem murmurar jamais contra ele: todas as manhãs, ofereçamos a Deus, em favor dos nossos finados, todo o bem que pudermos fazer… oh! de que sofri­mentos serão aliviados no Purgatório!
Quão rico é o homem, diz Bossuet, pois que com tão pouco pode ganhar o Céu e fazê-lo ganhar aos outros!


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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia