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XXI de Novembro - Festa da Apresentação de Maria Santíssima

Por Santo Afonso Maria de Ligório


En dilectus meus loquitur mihi: Surge, propera, amica mea, columba mea, formosa mea, et veni: — «Eis aí o meu amado que me diz: Levanta-te, apressa-te, amiga minha, pomba minha, formosa minha, e vem»
(Cant 2, 10).


Sumário. Afiguremo-nos ver a santa Menina que, acompanhada dos seus pais e de numerosos anjos, se põe a caminho de Jerusalém. Chegada que é aos degraus do templo, beija, de joelhos, as mãos de São Joaquim e de Santa Ana, pede-lhes a bênção, e, sem mais olhar para trás, despede-se do mundo e consagra-se irrevogavelmente ao seu Deus. Felizes de nós, se pudéssemos oferecer hoje ao Senhor os primeiros anos da nossa vida! Ofereçamos-lhe ao menos os poucos que ainda nos restam; pois, melhor é começar tarde do que nunca.


I. A santa Menina Maria, apenas chegada à idade de três anos, rogou a seus santos pais, que, conforme a sua promessa, a levassem a encerrar-se no templo. Quando chegou o dia marcado, eis que parte de Nazaré a imaculada Virgenzinha com São Joaquim e Santa Ana e com uma multidão de anjos, que acompanham a santa Menina destinada a ser a Mãe do seu Criador. Vai, pois, lhe diz São Germano, vai, ó Virgem santa, vai à casa do Senhor, e espera a vinda do Espírito Santo, que te fará Mãe do Verbo Eterno.


Chegada que foi a santa comitiva ao templo de Jerusalém, a santa Menina se volta para seus pais, e, de joelhos, beijando suas mãos, pede-lhes a bênção, e depois, sem mais olhar para trás, sobe os degraus do templo, e, despedindo-se então do mundo, e renunciando a todos os bens que o mundo lhe podia prometer, oferece-se e consagra-se inteiramente ao Criador.


A vida de Maria no templo não foi senão um ato contínuo de amor e de consagração de si mesma ao Senhor: ela ia crescendo de hora em hora, ou antes, de instante em instante, nas santas virtudes, auxiliada, sim, pela graça divina, mas também trabalhando com todas as suas forças para cooperar com a graça. — Ela mesma se mostrou um dia à virgem Santa Isabel e lhe disse: «Pensas, porventura, que obtive as graças e as virtudes sem fadiga? Sabe que não obtive graça alguma de Deus sem grande trabalho, oração contínua, desejo ardente e muitas lágrimas e penitências».




II. A vida da virgenzinha Maria no templo foi uma oração contínua. Vendo o gênero humano perdido e em inimizade com Deus, orava principalmente pela vinda do Messias, com o desejo de ser serva da virgem feliz que viria a ser Mãe de Deus. — Imaginemos que então alguém lhe tivesse dito: Ó santa Menina, sabe que movido pelas tuas preces o Filho de Deus já se apressa a vir e remir o mundo; e sabe que é tu a bendita, escolhida para ser sua mãe.

Ó Maria, Filha amadíssima de Deus, Menina santa, que rogais por todos, rogai também por mim. Vós vos consagrastes inteiramente desde criança ao amor do vosso Deus; oh! não poder eu do mesmo modo, neste dia, oferecer-vos as primícias da minha vida e dedicar-me inteiramente ao vosso serviço, ó minha santa e dulcíssima Soberana! Não é mais tempo disto, pois, desgraçadamente, perdi tantos anos servindo o mundo e os meus caprichos, sem pensar em vós nem em Deus. Maldigo o tempo em que não vos amei! Mas é melhor começar tarde do que nunca. Eis-me aqui, ó Maria; apresento-me hoje a vós e me ofereço inteiramente ao vosso serviço, para o resto de minha vida; como vós, renuncio a todas as criaturas, e me dedico sem reserva ao amor do meu Criador. Consagro-vos, pois, ó minha Rainha, o meu espírito para pensar sempre no amor que mereceis, a minha língua para vos bendizer, o meu coração para vos amar.
Acolhei, ó Virgem santa, a oferta que vos faz um miserável pecador; acolhei-a, eu vos suplico pelo prazer que experimentou o vosso coração, no momento em que vos dáveis a Deus no templo. Se tarde começo a servir-vos, justo é que redima o tempo perdido redobrando o meu zelo e o meu amor. — «E Vós, ó Deus, que no dia presente quisestes que no templo fosse apresentada a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria, digna morada do Espírito Santo: concedei-me que pela sua intercessão mereça ser apresentado no templo da vossa glória»[1]. Fazei-o pelo amor de Jesus Cristo. (*I 344)

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[1] Or. festi.



Retirado do livro: Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Duodécima Semana depois de Pentecostes até ao fim do Ano Eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p.393-395.

O Dogma do Purgatório - Parte I

Trechos do Livro
Como evitar o Purgatório
Pe. Francisco Xavier Schouppe, S.J.
Edição de 1973



O Pe. Francisco Xavier Schouppe S.J., missionário jesuíta que viveu em fins do século XIX e início do XX, foi um profícuo autor de obras de caráter teológico e exegético bíblico. Deixou vários livros populares, dentre os quais destaca-se um sobre o Purgatório, do qual extraímos os textos abaixo. Das obras que escreveu, esta é a mais conhecida e recomendada.


O Dogma do Purgatório é muito esquecido pela maioria dos fiéis; a Igreja Padecente — onde há tantos irmãos para socorrer, e para onde sabem que um dia devem ir —, parece-lhes terra estranha.
Esse verdadeiramente deplorável esquecimento constituía um grande sofrimento para São Francisco de Sales: “Hélas”, disse esse pio Doutor da Igreja, “nós não nos lembramos suficientemente de nossos caros falecidos; sua memória parece esvanecer-se com o som fúnebre dos sinos”.
As principais causas disso são ignorância e falta de fé; nossas noções sobre o Purgatório são muito vagas, nossa fé é muito fraca.
Então, para que nossas idéias se tornem mais precisas e nossa fé vivificada, devemos olhar mais de perto essa vida além túmulo, esse estado intermediário das almas justas ainda não dignas de entrar na Celeste Jerusalém.

*   *   *

O Purgatório ocupa um importante lugar em nossa santa Religião: forma uma das principais partes da obra de Jesus Cristo, e representa um papel essencial na economia da salvação do homem.
Lembremo-nos de que a Santa Igreja de Deus, considerada como um todo, é composta de três partes: a Igreja Militante [nesta Terra], a Igreja Triunfante [no Céu] e a Igreja Padecente ou Purgatório. Essa tríplice Igreja constitui o Corpo Místico de Jesus Cristo, e as almas do Purgatório não são menos seus membros que os fiéis na Terra e os eleitos no Céu. .... Essas três igrejas-irmãs mantêm incessantes relações entre si e uma contínua comunicação, que denominamos a Comunhão dos Santos.

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Rezar pelos falecidos, fazer sacrifícios e sufrágios por eles, forma parte do culto cristão, e a devoção pelas almas do Purgatório é a que o Espírito Santo infunde com caridade nos corações dos fiéis. “Santo e salutar pensamento é rezar pelos mortos”, diz a Sagrada Escritura, “para que sejam purificados de seus pecados” (II Mac. 12, 46).
A Justiça de Deus é terrível, e pune com extremo rigor mesmo as faltas mais triviais. A razão é que tais faltas, leves a nossos olhos, não o são diante de Deus. O menor pecado desagrada-O infinitamente, e, por causa da infinita Santidade que é ofendida, a menor transgressão assume enorme proporção e exige enorme expiação. Isso explica a terrível severidade das penas da outra vida, e deveria nos penetrar de santo temor.

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Fonte do texto: Revista Catolicismo

O Purgatório - Parte II

Trechos do Livro
Como evitar o Purgatório
Pe. Francisco Xavier Schouppe, S.J.
Edição de 1973


Na primeira parte o Pe. Schouppe mostrou a importância de lembrarmo-nos do purgatório; nesta parte II, discorre ele sobre o duplo sentimento que nos suscita aquele lugar: a justiça que pune e a misericórdia que perdoa.
O Purgatório ocupa um importante papel em nossa santa Religião; forma uma das principais partes da obra de Jesus Cristo, e tem uma função essencial na economia da salvação das almas.

Lembremo-nos de que a Santa Igreja de Deus, considerada como um todo, está composta de três segmentos: a Igreja Militante (na Terra), a Igreja Triunfante (no Céu) e a Igreja Padecente (no Purgatório). Essa tríplice Igreja constitui o Corpo Místico de Jesus Cristo, e as almas do Purgatório não são menos seus membros do que os fiéis na Terra e os eleitos no Céu. No Evangelho, a Igreja é ordinariamente chamada Reino do Céu; o Purgatório, tanto quanto as Igrejas celestial e terrena, é uma província desse vasto reino.
As três Igrejas irmãs mantêm incessantes relações entre si, uma contínua comunicação a que chamamos de Comunhão dos Santos. Essas relações não têm outro objetivo senão conduzir almas para a eterna glória, o termo final para o qual todos os eleitos tendem. [...]
Preces pelos falecidos, sacrifícios e sufrágios pelos mortos formam uma parte do culto cristão, e a devoção pelas almas do Purgatório é uma devoção que o Espírito Santo infunde com a caridade nos corações dos fiéis. É um pensamento santo e salutar fazer um sacrifício expiatório pelos mortos, para que eles sejam livres de suas faltas, diz a Sagrada Escritura.(1)
Temor e confiança
Para ser perfeita, a devoção às almas do Purgatório deve ser animada por um espírito tanto de temor quanto de confiança. De um lado, a santidade de Deus e sua justiça inspira-nos um salutar temor. De outro, sua infinita misericórdia dá-nos uma confiança sem limites. [...]
A justiça de Deus é terrível, e pune com extremo rigor até as faltas mais triviais. Isso porque essas faltas, leves a nossos olhos, não o são de nenhum modo aos de Deus. O menor pecado desagrada a Deus infinitamente. Em relação à infinita santidade que é ofendida, a mais ligeira transgressão toma proporções enormes e pede enorme reparação. Isso explica a terrível severidade das penas da outra vida, e deveria penetrar-nos de um santo temor.
O temor do Purgatório é um temor salutar; seu efeito é não só nos inclinar a uma caridosa compaixão para com as pobres almas sofredoras [do Purgatório], mas também ter um zelo vigilante por nosso próprio interesse espiritual. Pensa no fogo do Purgatório, e empenhar-te-ás em evitar as mais leves faltas; pensa no fogo do Purgatório e farás penitência de modo a satisfazer a divina justiça neste mundo, em vez de reparares [teus pecados] no outro.
Guardemo-nos, entretanto, do temor excessivo, e não percamos a confiança. [...]
Caso estejamos animados desse duplo sentimento, se nossa confiança na misericórdia de Deus é igual ao temor que sua justiça nos inspira, teremos o verdadeiro espírito de devoção às almas do purgatório.
Esse duplo sentimento surge naturalmente do dogma do Purgatório retamente entendido — um dogma que contém o duplo mistério da justiça e da misericórdia: da justiça que pune, da misericórdia que perdoa.

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1. II Mac. 12, 46.

Fonte do texto: Revista Catolicismo

O Purgatório - Parte III

Trechos do Livro
Como evitar o Purgatório
Pe. Francisco Xavier Schouppe, S.J.
Edição de 1973



Na parte II desta série, o Pe. Schouppe tratou do Purgatório enquanto reflexo da justiça e da misericórdia de Deus. Nesta parte ele fala da sua localização e de dois tipos de padecimentos.

No Purgatório as almas estão confirmadas em graça, marcadas com o selo dos eleitos, e, desse modo, isentas de todo vício. [...] A opinião mais comum, que está mais de acordo com a linguagem da Escritura e é geralmente mais aceita entre os teólogos, coloca o Purgatório nas entranhas da Terra, não longe do Inferno dos réprobos. [...] Lá não reina horror, desordem, desespero nem trevas eternas. A esperança divina difunde sua luz, e esse lugar de purificação é chamado também “estadia da esperança”. [A venerável Cônega Matteotti] viu lá almas que sofriam cruelmente, mas anjos as visitavam e assistiam em seus sofrimentos. [...]
Há no Purgatório, como no Inferno, uma dupla pena: a da privação da visão de Deus (temporária) [...]. E a dos sentidos, ou sofrimento sensível. [...] Consiste no fogo e em outras espécies de sofrimento.
Com relação à severidade desses sofrimentos, uma vez que são infligidos pela infinita justiça, são eles proporcionados à natureza, gravidade e número dos pecados cometidos. Cada um recebe de acordo com suas obras, cada um tem que saldar os débitos de que se vê culpado diante de Deus. Esses débitos diferem enormemente em qualidade. [...] As almas sofrem vários tipos de sofrimentos, uma vez que há inumeráveis graus de expiação no Purgatório, e que alguns são incomparavelmente mais severos que outros. No entanto, falando em geral, os Doutores concordam em dizer que as dores do Purgatório são as mais dilacerantes. “O mesmo fogo, diz São Gregório, atormenta os réprobos e purifica os eleitos”. [...]
Inferno e Paraíso
Santo Tomás vai ainda além; ele afirma que a menor dor do Purgatório ultrapassa todos os sofrimentos desta vida, quaisquer que sejam. [...] Para provar essa doutrina, afirma-se que as almas do Purgatório sofrem a dor da perda da visão de Deus. Ora, essa dor ultrapassa os mais agudos sofrimentos. [...]Santa Catarina de Gênova, em seu tratado sobre o Purgatório, diz: “As almas sofrem um tormento tão extremo, que a língua não pode descrever, nem pode o entendimento ter dele a menor noção, se Deus não o torna conhecido por uma graça particular”. [...]
Entretanto as almas do Purgatório estão em contínua união com Deus e perfeitamente resignadas com sua vontade; ou melhor, sua vontade está tão transformada na de Deus, que elas não podem querer senão o que Deus quer. [...]
O Purgatório é uma espécie de Inferno no que diz respeito aos sofrimentos; é um Paraíso no que diz respeito ao deleite infundido nos corações pela caridade — caridade maior que a morte e mais poderosa que o Inferno.


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Fonte do texto: Revista Catolicismo

O Purgatório - Parte IV

Trechos do Livro
Como evitar o Purgatório
Pe. Francisco Xavier Schouppe, S.J.
Edição de 1973


Na parte III, vimos trechos do Pe. Schouppe a respeito da localização do Purgatório e de dois tipos de padecimentos. Prosseguimos reproduzindo o que o autor fala da duração e da razão das penas a serem purgadas.
A fé não nos fala sobre a duração precisa das dores do Purgatório. Sabemos em geral que elas são medidas pela Justiça Divina, e que cada uma delas é proporcionada ao número e à gravidade das faltas ainda não expiadas. Deus pode, no entanto, sem prejuízo de sua Justiça, abreviar esses sofrimentos aumentando sua intensidade; a Igreja Militante pode também obter sua remissão pelo Santo Sacrifício da Missa [principalmente pela chamada “Missa Gregoriana”, isto é, uma série ininterrupta de 30 Missas] e outros sufrágios oferecidos pelos falecidos.
De acordo com a comum opinião dos Doutores, as penas expiatórias são de longa duração. “Não há dúvida, diz São Roberto Bellarmino, de que as penas do Purgatório não são limitadas a dez ou vinte anos, e de que elas duram, em muitos casos, séculos”. [...]
Por que as almas devem sofrer antes de serem admitidas a ver a face de Deus? Qual é a matéria, qual o objeto dessas expiações? O que tem o fogo do Purgatório que purificar, que consumir? Dizem os Doutores que são as manchas deixadas pelos pecados.

Pagar os “débitos de sofrimento”

Mas, o que se entende por manchas? De acordo com a maioria dos teólogos, não é a culpa do pecado, mas a dor ou débito de dor vindo do pecado. Para entender bem isso, devemos nos lembrar de que o pecado produz um duplo efeito na alma, a que chamamos débito (reatus) de culpa e débito de sofrimento. O pecado torna a alma não somente culpada, mas merecedora da dor ou castigo. Ora, depois que a culpa é perdoada [pela confissão], geralmente acontece que a dor permanece para ser sofrida, inteiramente ou em parte, e isso tem que ser sofrido na presente vida ou na vida futura. [...]
O débito vem de todas as faltas cometidas durante a vida, especialmente de pecados mortais [perdoados] não expiados quanto à culpa, e que se negligenciou em expiar com frutos meritórios ou penitência exterior. [...]
Toda mancha de culpa desapareceu então, mas a dor permanece para ser sofrida em todo seu rigor e longa duração, pelo menos pelas almas que não são assistidas pelos vivos. Elas não podem obter o menor alívio por si próprias, porque o tempo do mérito passou; não podem merecer mais, não podem senão sofrer, e desse modo pagar à terrível justiça de Deus tudo o que devem, até o último ceitil.
Esses débitos de sofrimento são os remanescentes do pecado e uma espécie de mancha, que intercepta a visão de Deus e coloca um obstáculo na união da alma com seu fim último. Uma vez que as almas do Purgatório fiquem livres da culpa do pecado –– escreve Santa Catarina de Gênova –– não há outra barreira entre elas e sua união com Deus, salvo os remanescentes do pecado, dos quais têm que ser purificadas. [...]
Almas que se permitem ser ofuscadas pelas vaidades do mundo, mesmo que tenham a boa fortuna de escapar à danação, terão que sofrer terrível punição. [...]
Aqueles que tiveram o infortúnio de dar mau exemplo, ferir ou causar a perda das almas pelo escândalo, devem ter o empenho em reparar tudo neste mundo, se não querem ser sujeitos à mais terrível expiação no outro.
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Fonte do texto: Revista Catolicismo

O Purgatório - Parte V

Trechos do Livro
Como evitar o Purgatório
Pe. Francisco Xavier Schouppe, S.J.
Edição de 1973

Na edição anterior, o Pe. Schouppe discorreu sobre a duração e a razão das penas do Purgatório; nesta, reproduzimos o que ele escreveu sobre certo alívio que as almas padecentes podem receber.

A misericórdia de Deus é exercida, em relação ao Purgatório, de uma tríplice maneira: 1 – consolando as almas que nele estão; 2 – mitigando seus sofrimentos; 3 – dando-nos mil meios de evitar esse fogo punitivo. [...]
As almas do Purgatório também recebem grande consolação da Santíssima Virgem. Não é Ela a Consoladora dos Aflitos? E qual aflição pode ser comparada à das pobres almas do Purgatório? Não é Ela Mãe de Misericórdia? E não é com relação a essas santas almas padecentes que Ela mostra toda a misericórdia de seu coração? Não nos devemos, pois, espantar de que, nas Revelações de Santa Brígida, a Rainha do Céu atribua a si o nome de Mãe das Almas do Purgatório. “Eu sou – disse Ela à santa – a Mãe de todos aqueles que estão no lugar de expiação; minhas preces mitigam os castigos que lhes são infligidos por suas faltas”. [...]
Além do consolo que as almas recebem da Santíssima Virgem, elas são também assistidas e consoladas pelos santos Anjos, e especialmente por seus Anjos-da-Guarda. Os Doutores da Igreja ensinam que a missão tutelar dos Anjos-da-Guarda termina somente na entrada de seus protegidos no Paraíso. [...] O Anjo guardião conduz a alma ao seu lugar de expiação e lá permanece com ela para proporcionar-lhe toda a assistência e consolações em seu poder. [...]
Diminuição e mitigação da pena
Se Deus consola as almas com tanta bondade, sua misericórdia brilha ainda maisclaramente no poder que dá à sua Igreja de encurtar a duração de seus sofrimentos. Desejando executar com clemência a severa sentença de sua justiça, Ele concede diminuição e mitigação da pena. Mas faz isso de maneira indireta, através da intervenção dos vivos. A nós Ele concede todo o poder para socorrer nossos aflitos falecidos, por meio do sufrágio, isto é, através dos meios da impetração e da satisfação.
A palavra sufrágio, em linguagem eclesiástica, é sinônimo de prece; contudo, quando o Concílio de Trento declara que as almas do Purgatório são assistidas pelos sufrágios dos fiéis, o sentido da palavra é mais compreensível. Inclui, em geral, tudo o que se pode oferecer a Deus pelos falecidos. Podemos assim oferecer a Deus não somente nossas preces, mas também nossas boas obras, tanto quanto elas sejam impetratórias ou satisfatórias.
Para entender esses termos, lembremo-nos de que cada uma de nossas boas obras, feitas em estado de graça, ordinariamente possui um tríplice valor aos olhos de Deus:
A obra é meritória, quer dizer, aumenta nosso mérito; dá-nos direito a um novo grau de glória no Céu;
É impetratória (impetrar, obter), pois, como a prece, ela tem a virtude de nos obter algumas graças de Deus;
É satisfatória, tendo, por assim dizer, um valor pecuniário e podendo satisfazer à divina justiça e pagar nossas dívidas de punição temporal diante de Deus.
O mérito é inalienável, e permanece propriedade da pessoa que pratica a ação. Pelo contrário, os valores impetratórios ou satisfatórios podem beneficiar outros, em virtude da Comunhão dos Santos. [...] Quais são os sufrágios pelos quais, de acordo com a doutrina da Igreja, podemos ajudar as almas do Purgatório?
Respondemos: Consistem nas orações, esmolas, jejuns e penitências de qualquer gênero, indulgências, e sobretudo no santo Sacrifício da Missa. Nosso Senhor Jesus Cristo permite-nos oferecer à Divina Majestade todas as obras, feitas em estado de graça, para alívio de nossos falecidos no Purgatório, e Deus as aplica a essas almas, de acordo com sua Justiça e Misericórdia.
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Fonte do texto: Revista Catolicismo


Novembro - Mês de socorrer as Almas do Purgatório

MÊS DAS ALMAS DO PURGATÓRIO


Sancta et salubris est cogitatio pro defunctis exorare,
ut a peccatis solvantur.

É um santo e salutar pensamento orar pelos mortos,
para que lhes sejam perdoados os seus pecados (2 Mac 12, 46).

A devoção às almas do purgatório é muito agradável ao Senhor, e utilíssima a quem a pratica. Jesus Cristo ama imensamente essas almas e suspira pelo momento em que as possa estreitar contra o peito; e as santas prisioneiras mostrar-se-ão gratas para com aquele que lhes obtém o livramento do seu cárcere ou ao menos algum alívio nas suas penas. Sufraguemos, pois, constantemente as almas do purgatório, particularmente no mês consagrado à sua memória.  É tão fácil oferecer, em sufrágio das benditas almas, alguma esmola, algum jejum ou qualquer outra mortificação. Para o mesmo fim frequentemos os santos sacramentos, fazendo uma sincera confissão, uma santa comunhão e, sendo possível, algumas vezes por semana a Via-Sacra. Mas, sobretudo assistamos por elas, o mais possível, à Santa Missa, e, se o permitir a nossa condição, mandemos celebrar alguma Missa, que é o sufrágio mais proveitoso às almas. Afirma S. Jerônimo que "cada Missa devotamente celebrada faz sair várias almas do  purgatório" e em outras partes "as almas que penam no purgatório, pelas quais o sacerdote ora durante a celebração da Missa, não sentem as penas enquanto durar a celebração".
E é também neste mês que a nossa boa mãe, a Santa Igreja, dá os seus tesouros de indulgências para ajudar as almas. O Papa Leão XIII (17 de jan. de 1888) concedeu a todos os fiéis que cada dia do mês de novembro, em público ou em particular, se aplicarem em socorrer as almas do purgatório, por exercícios de piedade, as indulgências seguintes, aplicáveis às mesmas almas: 7 anos e 7 quarentenas uma vez cada dia do mês de novembro e plenária cumprindo as condições de costume num dia do dito mês à escolha da pessoa. Com as mesmas condições todos os fiéis podem lucrar uma indulgência plenária, quantas vezes visitarem uma igreja, ou capela ou oratório públicos, no dia 2 de novembro, rezando cada vez 6 Padre-nossos e 6 Ave-Marias e 6 Glória ao Padre (decr. 26 de junho de 1914). Esta indulgência não está fixa ao dia 2 de nov. mas ao dia em que se celebrar cada ano a comemoração de todos os fiéis defuntos (13 de nov. de 1916).

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para auxiliar estas almas que tanto precisam de nossa ajuda!





DIA 19 DE SETEMBRO


MEDITAÇÃO


Aproveitamento do Tempo
Ponto 1. — O tempo é o preço da eternidade... Vale tanto como Deus, diz São Bernardo, porque com ele se compra a Deus. Um momento aproveitado produz um peso imenso de glória. O tempo usado como Deus quer, proporciona uma morte como razoavelmente  podemos apetecer. Que fazemos do tempo?
Ponto 2. — O tempo é chamado pelos mundanos ouro, e pelos santos céu. A cada instante aproveitado corresponde no céu um grau de glória. Os santos de nada foram avaros senão do tempo: podiam eles vender tão barato o que tão caro custou a Cristo? E tu como aproveitas o tempo? Que ideia fazer dele?
Ponto 3. — São José conhecia o tempo porque tinha diante de si o Eterno e a mesma eternidade divina. Não perdeu na virtude nem no conhecimento de Deus, nem da perfeição, porque aproveitou o tempo; mas na morte e no céu encontrou o preço que aqui dera,  aproveitando o tempo. Como o aproveitas?...
Fruto. — Recordar com frequência que um momento de tempo bem aproveitado produz em  nós um peso imenso de glória.

ORAÇÃO DE SÂO CLEMENTE
São José, meu terno pai, ponho-me para sempre sob vossa proteção; considerai-me como vosso filho, e preservai-me de todo pecado. Lanço-me nos vossos braços, para que me acompanheis no caminho da virtude, e me assistais na hora da morte.

Orações Finais para o Dia 19 de Cada Mês

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Do livro: Devoto Josephino - edição de 1935

DIA 19 DE AGOSTO


MEDITAÇÃO


A Vida de São José

Ponto 1. — A vida de São José foi bem aproveitada: não perdeu tempo. Era facilmente encontrado em casa, na oficina, no templo; nunca, porém, em divertimentos. Uma morte feliz, é o prêmio duma vi da tão bem aproveitada. O tempo e o preço da eternidade.
Ponto 2. — A vida de São José foi uma vida atormentada. Foi vi da de tristezas, de exílios, de temores, de pobreza e de martírio; de coração acompanhados das aflições inerentes à pobreza. Esses foram os degraus que levantaram São José tão alto na glória, passando antes pela morte dos justos.
Ponto 3. — A vida de são José foi vida feliz e origem duma morte felicíssima. O mundo chama-os bem-aventurados, como também aos que choram, aos que sofrem, aos perseguidos... e manifesta-lhes ser verdadeira sua palavra na paz da consciência... São José tinha a Deus consigo em meio de sua pobreza, por isso foi feliz em vida e agora é felicíssimo depois da morte.
Fruto. — Em todas tuas ações pergunta-te: Que me aproveitará o que agora vou fazer para a eternidade?

ORAÇÃO PEDINDO A SAÚDE PARA UM DOENTE
Omnipotente e poderosíssimo Senhor, que sois saúde eterna para todos os que creem em Vós e de coração vos amam, escutai, pelos méritos de São José, pai adotivo de vosso Filho Jesus, as orações que vos dirigimos por este doente.
Pelo cuidado e diligência com que o Santo Esposo de Maria tratou da saúde e vida de Jesus, vos pedimos, que aparteis deste doente a doença que o aflige, e fazei que os remédios que se lhe apliquem produzam com eficácia o efeito desejado.
Bem conhecemos que todos os remédios humanos nada podem sem Vós, autor e inspirador de todo conhecimento útil; em Vós, pois, pomos nossa confiança, e não seremos confundidos. Consolai, ó bom Jesus, este pobre doente que tanto sofre, assim como outrora vos consolou o glorioso S. José, para que livre da doença que o atormenta, louve vossa misericórdia eternamente.

Orações Finais para o Dia 19 de Cada Mês

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Do livro: Devoto Josephino - edição de 1935

DIA 19 DE JULHO


MEDITAÇÃO


Presença de Maria na morte de São José

Ponto 1. — Maria verdadeira Mãe de Deus era também esposa verdadeira de S. José; foi sempre sua companheira, foi sua testemunha, foi sua admiradora, foi seu constante auxiliar em todos os momentos. Que morte santa a presenciada e auxiliada pela mesma Mãe de Deus!

Ponto 2. — São José auxiliou sempre a Maria. Em suas necessidades, em seus momentos de aflição, a única proteção e apoio que Maria tinha na terra, era invocar a São José! São José foi seu benfeitor. seu único amparo... Que agradecimento guardaria para ele sua Esposa!

Ponto 3. — Maria como esposa, como companheira, não podia abandonar a São José: fiel a seu dever, nunca o abandonou, senão que o seguia sempre, assistindo-o e consolando-o, particularmente, na morte. Morte feliz a de São José!... É tua vida do agrado de Maria? Se viveste conforme aos desejos de Maria, também tua morte será conforme a teus desejos.

 Fruto. — Antes de cada ação pergunta-te: Como faria isto Maria?

ORAÇÃO
LEMBRAI-VOS DE SÃO JOSÉ

Lembrai-vos, ó puríssimo Esposo de Maria Virgem, ó doce protetor meu S. José, que jamais se ouviu dizer que alguém tivesse invocado vossa proteção e não fosse por Vós consolado. Com esta confiança venho a vossa presença, a Vós fervorosamente me recomendo. Ah! não desprezeis a minha súplica, ó pai adotivo do Verbo de Deus humanado, mas dignai-vos de acolhê-la piedosamente. Assim seja.


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Do livro: Devoto Josephino - edição de 1935

DIA 19 DE JUNHO

MEDITAÇÃO

Amor que S. José teve a Jesus
Ponto 1. — Outra das causas da felicidade de São José em sua morte foi seu amor a Jesus. Aos que amam a Deus tudo, até a mesma morte, se lhes converte em bem: a mesma morte, que é o maior de todos os males naturais. Por isso foi preciosa a morte de São José.
Ponto 2. — São José amou a Jesus como a seu Deus e como a seu filho: como a Deus amava-O como santo, como o maior de todos os santos; como a filho amava-O como pai e como o pai mais amoroso: Jesus por tanto como Deus e como filho, assistiu na morte de São José.

Ponto 3. — São José amou a Jesus com todo seu entendimento, porque O via e conhecia perfeitamente: e com todo o seu coração, porque era o objeto único de suas aspirações, e a única afeição de sua alma: era todo de Deus e na morte foi Deus todo de São José.
Amas assim a Deus?...

Fruto. — Recorda com frequência que o primeiro e principal mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas.

ORAÇÃO EFICACÍSSIMA PARA SE OBTER A PUREZA
Glorioso S. José, pai e protetor das virgens, guarda fiel a quem Deus confiou Jesus, a mesma inocência, e Maria, a Virgem das virgens, eu vos peço e conjuro por Jesus e por Maria, este duplo depósito a Vós tão caro, com vosso eficaz auxílio dai-me conservar meu corpo isento de toda mancha, e que puro e casto, sirva perpetuamente a Jesus e a Maria em perfeita castidade. Assim seja.




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Do livro: Devoto Josephino - edição de 1935

31/05 - Consideração para a véspera do Mês do Sagrado Coração

Por um decreto de 3 de Maio de 1873, o Papa Pio IX de santa memória concedeu a todos os que fizerem o mês do Sagrado Coração, sete anos de indulgência* em cada dia do mês de Junho, e indulgência plenária em um dia do mesmo mês à vontade do fiel, observadas as condições ordinários.

MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Consideração para a véspera do mês
A oração tem sido sempre as delicias das almas fervorosas. Estas delicias, querido leitor, o Sarado Coração vos convida  hoje a saborear. Mais aparentes do que reais são as dificuldades deste santo exercício. «Fazer oração mental ou meditação, diz Monsenhor Dechamps, é pensar nas verdades da fé, para se excitar no amor divino e na prática das virtudes, cuja graça será obtida pela oração. A meditação chama-se  oração mental, pois a oração ou suplica é a parte principal da meditação. Assim, fazer oração mental é pensar nas verdades da fé, por exemplo, na morte, no juízo, no céu, no inferno, na  eternidade, em Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho único de Deus, que desceu do céu, fez-se Homem por nosso amor no seio da bem-aventurada Virgem Maria, padeceu e morreu na cruz para nos alcançar o perdão de nossos pecados. Quando o cristão pensa numa das grandes verdades que a santa fé ensina, e pensa para se excitar a evitar o pecado, imitar a Jesus Cristo e  empregar para isto os meios que ele nos deixou, principalmente a oração e os sacramentos, que são os canais da graça, então faz a meditação ou oração mental.
Bem vedes que muitos cristãos que nunca ouviram talvez  pronunciar estas palavras, fazem contudo a oração, visto como pensam algumas vezes nas verdades da salvação, por exemplo, quando depois de ouvirem o sermão do domingo, pedem a Deus perdão dos pecados, tomam a resolução de confessar-se e lhe rogam a graça de vida melhor. Faz também oração mental aquele que se prepara para uma boa confissão, porque então, depois de ter orado e reconhecido suas faltas, excita-se à contrição pensando no inferno que mereceu, no céu e na graça de Deus que perdeu, em Jesus Cristo a quem nossos pecados fizeram chorar, padecer e morrer. Ainda faz oração mental, quem, depois de ter lido n’algum bom livro, para um pouco considerando um ponto que lhe diz respeito e mais o comove, o depois ora a Deus, a Jesus, a Maria, aos santos anjos, ou aos santos padroeiros, a fim de conseguir uma graça que deseja, ou cumprir uma coisa  que Deus exige dele. Em viagem e até no trabalho pode uma  pessoa fazer oração mental, pois ainda então pode pensar nas verdades da salvação, e dirigir-se a Deus em súplicas. Não se creia, pois, que este exercício, por difícil, seja raro. Não,quando se toma a peito o negócio da salvação eterna, nele se pensa todos os dias com tão boa vontade como os negociantes no seu comércio; e tão impossível é que nos saiamos bem no negócio de nossa salvação, sem nele pensarmos e nos resolvermos a empregar os meios necessários, como o é ao negociante prosperar, sem pensar nos meios de adquirir  fortuna. O mundo está cheio de pecados e o inferno de réprobos, afirma Santo Afonso, por que não se medita nas verdades eternas.
Por tanto, alma cristã, nada mais fácil que fazer oração mental. Santo Afonso torna sua prática extremamente simples, clara, fácil e não menos frutuosa; graças ao método que ele
ensina, este exercício indispensável a quem quer santificar-se, é posto com toda verdade ao alcance de todos: também seu desejo é que todos aprendam a meditar. Eis aqui o método de fazer a oração mental segundo o santo doutor: «A oração mental contem três partes: a preparação, a meditação e a conclusão.
I. Na Preparação fazem-se três atos:
1. Ato de Fé na presença de Deus.
Meu Deus, eu creio que estais aqui presente e vos adoro.
2. Ato de humildade.
Eu deveria estar a esta hora no inferno; Senhor, eu me arrependo de vos ter ofendido.
3. Ato de petição de luzes.
Eterno Pai, por amor de Jesus e Maria, esclarecei-me nesta meditação, para que tire proveito dela.
Uma Ave Maria à Mãe de Deus, e um Gloria Patri a S. José, ao anjo custódio e ao nosso santo protetor. Estes atos devem ser feitos com atenção, mas brevemente; depois faz-se a meditação.
II. Para a Meditação sirvamo-nos sempre de um livro, ao menos no começo, parando nas passagens que mais impressão nos fazem. S. Francisco de Sales diz que devemos imitar as abelhas, que se demoram numa flor enquanto acham mel, e voam depois para outra.
Cumpre, além disto, saber que os frutos da meditação são três: afetos, súplicas e resoluções; nisto é que consiste o proveito da oração mental. Assim, depois de haverdes meditado uma verdade eterna, e ter Deus falado a vosso  coração, é mister que faleis a Deus:
1o. Pelos afetos, isto é, pelos atos de fé, agradecimento, humildade, esperança; mas repeti de preferência os atos de amor e contrição. Conforme Santo Tomás, todo ato de amor nos merece a graça de Deus e o paraíso. O mesmo se deve dizer do ato de contrição. Eis aqui exemplos de atos de amor:
Meu Deus, eu vos amo sobre todas as coisas. — Eu vos amo de todo o meu coração. — Quero fazer em tudo vossa vontade. — Muito me regozijo por serdes infinitamente feliz.
Para o ato de contrição basta dizer:
Bondade infinita, pesa-me de vos ter ofendido.
2o. É necessário também falar a Deus pelas súplicas,  pedindo-lhe as luzes que havemos mister, a humildade ou outra virtude, uma boa morte, a salvação eterna, mas principalmente seu amor e a santa perseverança. E si nossa alma está em grande aridez, basta repetirmos:
Meu Deus, socorrei-me. — Senhor, tende compaixão de mim. — Meu Jesus, misericórdia! — Ainda que nada mais fizéssemos, a oração seria excelente.
3o. E mister enfim falar a Deus pelas resoluções: antes de terminar-se a oração, cumpre tomar alguma resolução particular, por exemplo, fugir de tal ocasião, sofrer o que parece nos molestar em tal pessoa, corrigir-se de tal defeito, etc.
III. Enfim a Conclusão compõe-se de três atos:
1o. Meu Deus, eu vos agradeço as luzes que me destes.
2o. Proponho observar as resoluções que tomei.
3o. Peço-vos, por amor de Jesus e Maria, a graça de pô-las em prática.
Termina-se a oração por um Padre Nosso e uma Ave Maria, para recomendar a Deus as almas do purgatório, os prelados da  Igreja, os pecadores, parentes e amigos.
S. Francisco de Sales aconselha notar algum pensamento que mais impressão nos faz na oração, para o recordarmos de tempos a tempos durante o dia. Útil é referir aqui o que Santo Afonso escreveu a seus religiosos numa circular em data de 26 de Fevereiro 1771. «Recomendo-vos de preferência para meditação os meus livros: A Preparação para a morte, as Meditações sobre a Paixão, as Setas de fogo e as Meditações do Advento até a Oitava da Epifania. Digo isto, não para exaltar meus pobres escritos, mas, porque estas meditações estão entremeadas de pios afetos, e cheias, o que mais importa, de santas  súplicas, o que quase não se acha noutros livros. Recomendo,
pois, que se leia sempre, na meditação, a segunda parte que consiste nos afetos e súplicas
«Além da oração, diz Santo Afonso, é utilíssimo fazer também, cada dia, uma Leitura Espiritual por espaço de meia hora, ou ao menos de um quarto de hora, em algum livro que trate da vida dos santos, ou das virtudes cristãs.
Quantos há que foram convertidos e se tornaram grandes santos, por terem lido um livro de piedade! Aí estão S. João Colombini, Santo Inácio de Loyola, e muitos outros.»
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* indulgência parcial

Trecho do livro: O Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Afonso de Ligório ou Meditações para o Mês do Sagrado Coração, A Hora Santa e a Primeira Sexta-Feira do Mês coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Pe. Saint-Omer, Redentorista