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02 de Março - Mês Dedicado a São José

Da genealogia e progenitores do glorioso São José
Fonte
            A mesma Providência, que destinou a São José para Esposo da Virgem, e Pai de Cristo, quis que também fosse de qualidade nobre e sangue régio; nem ele pudera ser Esposo da Rainha do céu, nem reputado Pai do Rei dos reis, se não fora sempre augusto e homem de tão alto nascimento. Não o era menos por sua geração, sendo da Tribo Real de Judá e soberana casa de Davi: assim o mostram, ainda que por dois ramos diversos, os Sagrados Evangelistas, que deram sua genealogia, numerando quarenta e dois ascendentes, todos sucessivamente de pai a filho, e todos personagens de grande vulto.
O Evangelista São Mateus diz no capítulo 1, versículo 16, que José fora filho de Jacó; São Lucas, porém, no capítulo 3, versículo 23, dá a entender que tivera por pai a Levi. Estas duas verdades, que parecem discordes, facilmente se conciliam por ser constante, por verdadeira tradição, que Jacó e Levi eram irmãos uterinos, filhos de uma mesma mãe, chamada Hestha, e que, falecendo Levi sem deixar Filho, casara Jacó, seu irmão, com a viúva, sua cunhada, como determinava a Lei no capítulo 25 do Deuteronômio, e desta união nascera São José. De sorte que São José foi filho de Jacó por geração própria, e de Levi por substituição legal.
Esta genealogia, que é a mais verdadeira, mostra que São José e Maria Santíssima eram parentes em terceiro grau, que descendiam do mesmo tronco de Davi, São José pela linha de Salomão, e Maria Virgem pela ascendência de Nathan, como largamente mostram muitos escritores. Só não é fácil saber-se, com certeza, quem fosse, e como se chamavam a venturosa mãe do nosso glorioso Santo, sendo mais provável que fosse Estha ou antes Abigail, que em hebraico significa alegria do pai.
O que se pode ter por indubitável é que o casto Esposo da Virgem não só procedia da nobilíssima família de Davi, mas foi legítimo herdeiro das virtudes de todos os seus preclaros progenitores, o que não duvidou afirmar São Bernardo, quando disse: “Este grande Varão José descende verdadeiramente da Casa e estirpe régia de Davi: não só é nobre no sangue, mas muito mais no espírito: foi filho de Davi, que não degenerou de seu pai; filho de Davi em todo o sentido, não só na carne, como na fé, na santidade, e na devoção, a quem Deus, como a outro Davi, achou semelhante a seu coração para lhe comunicar, seguramente, os ocultíssimos arcanos de seu peito”.
De tão augusta e qualificada origem foi São José, que é lícito dizer-se que chegou a comunicar, em certo modo, nobreza temporal ao próprio Filho de Deus.
No Evangelho claramente se vê que a nobreza humana de Cristo provém de ser São José descendente de Davi; mas, não obstante ser ele o termo, em que se compendiaram todos os merecimentos de tão ilustre ascendente, ficando São José por sua genealogia tão imediato a Cristo, devemos confessar que, sendo o último pela descendência, lhe tocou o lugar mais alto.
É verdade que o esplendor da sua ilustre Casa estava como sepultado na humildade e pobreza; todavia a São José lhe tocava o legítimo e hereditário jus do Reino de Israel pela linha de Salomão, se desde Salatiel não andasse usurpado o Reino, e fora da régia estirpe de Davi. Esta herança ao cetro estava tão justificada em São José no tempo de Dominiciano e Vespasiano, que, com receio de poderem pretender os seus descendentes o Reino da Judéia, mandaram aqueles Imperadores, com desconfiada ambição, prender a todos os sobrinhos do mesmo Santo, filhos de seu irmão Cleofas.
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A vida de São José pela Associação de Adoração Contínua a Jesus Sacramentado. Livraria Francisco Alves, 1927
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