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Capítulo XVIII - Recordações

CENTELHAS EUCARÍSTICAS
 PEQUENA COLEÇÃO
DE
Pensamentos e afetos devotos
a
JESUS SACRAMENTADO


XVIII
Recordações
__________


SE não tivesse mil razões para fazer companhia a Jesus, bastar-me-ia só esta — a das recordações que me desperta o lugar em que Ele está.
O templo... Quantas coisas me diz! Aqui vim eu em criancinha fazer a primeira comunhão... Como era boa naquele dia! Quanto me sentia feliz! Recordo quem me acompanhava, quem estava ao meu lado; parece-me ver aquelas almas boas... Para onde foram elas? Ah! Estão bem longe de mim! O campo santo arrebatou-as ao meu coração... Mas Jesus ninguém mo arrebatou: Ele está sempre aqui, no mesmo Tabernáculo de então, iluminado pela mesma luz, honrado com os mesmos cânticos... Nenhuma mudança se operou... Somente eu não sou tão boa como antes. Ah! Se eu pudesse reaver a inocência daquele dia!... Ó meu Jesus, Tu bem vês, dá-me vontade de chorar...
Não posso circunvagar os olhos por esta igreja, sem pensar... Sem recordar... Aqui vi eu durante longos anos tantas almas a tratar com Jesus os interesses eternos... E agora cederam-me o seu lugar. Elas oravam tão bem, e eu oro tão mal! Elas vinham aqui a... Fazer o quê? Que faziam elas à Mesa eucarística?... No Tribunal da penitência?... Assentadas ali naqueles bancos, durante as sagradas funções e as prédicas? Ah! Agora compreendo melhor que então: faziam-se santas. E eu, se tivesse herdado aquela piedade, quanto poderia aproveitar, estando aqui! Como saberia orar com fervor! como saberia sofrer resignada! Como saberia sorrir olhando para o Céu... Em vez disso, Tu bem vês, ó Jesus, o que eu faço aqui... perco o tempo em distrações.
Aqui tantas vezes ouvi entoar o Requiem, ou sobre um esquife ou sobre um cadafalso... Faziam-se as exéquias de gente conhecida e que eu amei... Orei um pouco por eles... Derramei também alguma lágrima... Ai de mim! As recordações confundem-se com as previsões... Também o meu corpo será transportado aqui um dia... E Tu, ó Jesus, que coisa provarás no coração quando vires a tua pobre criatura reduzida a um cadáver? Chorarás como choraste sobre a tumba de Lázaro?... Sem dúvida também eu desejei ser-te sempre amiga... Caro Jesus! Se não na morte, ao menos no dia de Juízo, faze-me ouvir o Teu veni foras... Porque também nesse momento, e sobretudo então, eu desejarei abraçar-me ao Teu Coração e estar sempre contigo.

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