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Capítulo XII - O meu posto

CENTELHAS EUCARÍSTICAS
 PEQUENA COLEÇÃO
DE
Pensamentos e afetos devotos
a
JESUS SACRAMENTADO



XII
O meu posto
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SOU peregrina do Céu. Sobre a terra estou só de passagem... Mas o meu posto, o lugar onde estou melhor e onde estou certa de não errar o caminho, é nas vizinhanças do Tabernáculo.
Com Jesus vizinho, a via do exílio já não é tão longa, a do Céu é mais segura, e a do inferno desaparece... Ah! Como se está bem aqui! Afinal Jesus está na Hóstia para mim, eu fui criada para Ele... Portanto, é natural que vivamos sempre perto um do outro.
Bem sei que Jesus tem mais repreensões a fazer-me, do que elogios; mas as suas repreensões têm um não sei quê de doce e de amável, que faz que eu as prefira a qualquer louvor humano. Parece-me vê-lo diante de mim quando me repreende: mostra-se de aspecto um tanto severo, mas em seus olhos há sempre uma certa serenidade e, pouco a pouco, um sorriso lhe aflora nos lábios... Quando ergue a mão em atitude ameaçadora... Eu olho para Ele, ponho-me a fitá-lo e, dali a um momento — nem sei como! — sinto aquela mão roçar-me nos lábios... E acabo por beijá-la.
E quando parece voltar-me as costas e ir-se embora? Faz Ele assim quando cometo alguma falta mais grave... Por exemplo, quando nutro no coração um sentimento de soberba, quando murmuro um pouco mais, quando me encolerizo com escândalo do próximo... Então parece-me que Ele está seriamente indignado contra mim, e o coração treme-me de medo... Ponho-me a olhar para onde Jesus vai, mas... Jesus é sempre Jesus... Apenas dá poucos passos e volta pelo mesmo caminho, com receio de não ser seguido. É então, que eu me precipito sobre Ele, lanço-me a seus pés, beijo os com fervor, peço-lhe perdão e, depois... Quero-lhe muito mais do que antes, e Ele mostra-se sempre meu amigo... Com um Jesus assim tão bom como é possível estar longe d'Ele?
Jesus faz-me de Mestre e de Pai espiritual; e como se aprende bem na sua escola! Quando me confesso, figuro-me que o confessor seja Ele, ou imagino estar ajoelhada junto do Tabernáculo, com a face mesmo encostada à portinha... E, então, como me descem ao fundo do coração as palavras que ouço... Talvez que o confessor se desembarace de mim com quatro breves recomendações, ou só talvez com uma, mas Jesus multiplica aquelas palavras dentro da minha consciência, da minha alma, do meu coração, e fazem-me sempre um grande bem.
Quando assisto a uma predica, aplico o ouvido ao que o pregador diz, mas o olhar tenho-o fixo no Tabernáculo... Figuro-me estar Jesus a pregar, e escuto-o com toda a atenção possível. Como são, então, belas as prédicas!... Não me enfadam nunca, o sono não me agrava os olhos, não as encontro longas. Através as palavras por vezes deselegantes e desordenadas, sem nenhum valor literário ou teológico, Jesus faz-me ouvir as suas; e que palavras!... Então compreendo porque as turbas da Palestina se aglomeravam tanto em volta d'Ele, quando lhes dirigia o seu verbo iluminado.
Em suma, ao pé de Jesus encontro-me sempre tem, e sempre ganho alguma coisa para a minha alma; ao passo que, com o mundo, em meio das criaturas, entre os pecadores, perde-se sempre alguma coisa... Portanto, o meu posto é aqui, junto do Tabernáculo, vizinho a Jesus.

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